PSOL pede a Aras investigação sobre Bolsonaro por compartilhar vídeo contra o Congresso

PSOL pede a Aras investigação sobre Bolsonaro por compartilhar vídeo contra o Congresso

Partido quer que Ministério Público Federal investigue a origem, financiamento e produção das gravações divulgadas pelo presidente

Paulo Roberto Netto

26 de fevereiro de 2020 | 17h24

O PSOL protocolou nesta quarta-feira, 26, pedido de investigação contra o presidente Jair Bolsonaro na Procuradoria-Geral da República. A sigla solicita a Augusto Aras, chefe do Ministério Público, que abra investigação para punir o presidente por divulgar vídeo pelo WhatsApp convocando manifestantes para atos anti-Congresso. O caso foi revelado nesta terça, 25, pelo ‘Estado’.

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A sigla pede a Aras que abra investigação para autuar e responsabilizar ‘Bolsonaro e seus aliados que também estejam convocando a população para atacar a democracia’.

O presidente da República Jair Bolsonaro participa da inauguração do Colégio Militar de São Paulo. Foto: Felipe Rau / Estadão

“Não restam dúvidas de que os representantes do atual governo, especialmente o Presidente da República, não possuem qualquer apreço pela democracia e sequer reconhecem ou compreendem o papel de instituições como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal para a consolidação do Estado Democrático de Direito”, afirma o partido.

Segundo o PSOL, o compartilhamento de mensagens que ‘incentivam o acirramento político e ameaçam o funcionamento das instituições democráticas’ demandam investigações do Ministério Público Federal.

“É inquestionável que no regime democrático o Presidente da República e seus Ministros se submetem à Constituição Federal e às leis vigentes, devendo respeitar e prezar pelo livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação”, afirma o partido.

O PSOL cobra ainda que seja apurado a origem, financiamento e produção do vídeo divulgado por Bolsonaro.

A gravação divulgada exibe a facada que o então candidato à Presidência sofreu em Juiz de Fora (MG), em setembro de 2018, para dizer que o presidente ‘quase morreu’ para defender o País e que agora precisa ‘que as pessoas vão às ruas para defendê-lo’. A mensagem que acompanha o vídeo afirma: “- 15 de março/Gen Heleno/Cap Bolsonaro/O Brasil é nosso, não dos políticos de sempre”.

Mais cedo, o presidente afirmou se tratar de ‘troca de mensagens de cunho pessoal, de forma reservada’. Lideranças políticas repudiaram o ato. Ministros do Supremo Tribunal Federal também se manifestaram sobre o caso, em especial Celso de Mello, que advertiu que o presidente não está ‘à altura do altíssimo cargo que exerce’.

COM A PALAVRA, O PRESIDENTE DA REPÚBLICA JAIR BOLSONARO
A reportagem entrou em contato, por e-mail, com o Palácio do Planalto e aguarda resposta. Mais cedo, pelas redes sociais, Bolsonaro escreveu: “Tenho 35Mi de seguidores em minhas mídias sociais, c/ notícias não divulgadas por parte da imprensa tradicional. No Whatsapp, algumas dezenas de amigos onde trocamos mensagens de cunho pessoal. Qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República.”

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