Protesto e interesse coletivo

Protesto e interesse coletivo

Flavio F. de Figueiredo*

02 de dezembro de 2020 | 07h30

Flavio F. de Figueiredo. FOTO: DIVULGAÇÃO

Estamos sendo continuamente bombardeados com notícias estarrecedoras de mortes violentas motivadas, sobretudo, por intolerâncias raciais, religiosas, de todo o tipo. Isto acontece no Brasil e no mundo.

É mesmo necessário protestar, reagir, para que a supressão dessas vidas pelo menos possa motivar melhorias no mundo.

Tudo o que falei até aqui ou é conhecido, ou é lugar comum.

As últimas ocorrências no Brasil geraram movimentos – alguns não pacíficos – de indignação.

Chamou especialmente minha atenção uma forma de protesto: a pintura de frases em vias públicas.

Os meios de comunicação designaram – na “manifestação artística” e, em São Paulo, contou com a acompanhamento da Companhia de Engenharia de Tráfego, CET, como noticiou a imprensa.

Passei por duas dessas intervenções, nas avenidas Paulista e 9 de Julho e fiquei estarrecido: além da agressão ao patrimônio da cidade – mais um, dentre tantos, não impedidos pelo poder público – foram visualmente eliminadas, ou camufladas, faixas de travessia para pedestres, que são extremamente importantes nessas avenidas.

Nesta situação, os motoristas não identificam os locais de travessia e os pedestres correm risco de morte.

Quanta irresponsabilidade de órgão técnico do poder público, que deveria zelar pela cidade e pela vida de seus habitantes!

O protesto pela morte de uma pessoa pode gerar morte de outras, porque ninguém tem coragem de impor limites.

O simples fato de uma manifestação ter motivação legítima não pode torná-la prejudicial a parcelas inocentes da população.

*Flavio F. de Figueiredo, engenheiro civil, consultor. Diretor de Figueiredo & Associados Consultoria. Conselheiro do Ibape/SP – Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo

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