Propinas ao PT e a ex-diretor da Petrobrás chegaram a R$ 60 mi, afirmam delatores

Propinas ao PT e a ex-diretor da Petrobrás chegaram a R$ 60 mi, afirmam delatores

Júlio Camargo e Augusto Mendonça Neto, executivos da Toyo Setal, relatam depósitos feitos a Renato Duque e ao partido em troca de contratos com estatal

Redação

03 de dezembro de 2014 | 14h56

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

Os executivos da Toyo Setal, Júlio Camargo Gerin e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, afirmaram em suas delações premiadas nos autos da Operação Lava jato terem pago propinas de até R$ 60 milhões ao ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato de Souza Duque e ao PT.

Indicaram ainda a conta “Marinelo” mantida por Duque no exterior, na qual depositaram US$ 1 milhão e revelaram que o esquema envolvendo a diretoria controlada pelos petistas movimentava dinheiro via empresas de fachada ligadas à construtora Delta e ao lobista Adir Assad.

“Houve exigência de vantagem indevida feita por Renato Duque em receber uma ‘comissão’ sobre tal contrato (obra de Cabiúnas 3), do valor aproximado, salvo engano, entre R$ 10 e R$ 20 milhões de reais”, afirmou Mendonça Filho.

O delator afirma que “emitiu em torno de R$ 2 milhões em nota” para simular prestação de serviços e pagar Duque. “Para pagar os R$ 2 milhões no exterior para Duque, o declarante transferiu perto de US$ 1 milhão de uma conta sua mantida no banco Safra Panamá, em nome da companha Stowaway, para a conta Marinelo de Renato Duque”, afirmou o delator.

AGUSTO 3

Segundo os delatores, a maior parte das propinas foi paga a Duque no Brasil. Mendonça afirma que desde 2004 houve uma combinação entre as empreiteiras do “clube” alvo da Operação Lava Jato para pagamentos de comissões para o ex-diretor de Serviços da Petrobrás e para o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa.

“O valor da comissão partia em torno de 2% sobre o valor dos contratos, mas isso era negociado posteriormente, como no caso da Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná), cujo valor de ‘comissão’ chegou a quase R$ 60 milhões no total”, afirmou Augusto Mendonça Filho.

As negociações, segundo o delator, eram feitas diretamente com Duque e com o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco, que também aceitou fazer delação na Lava Jato. “Os pagamentos em favor de Renato Duque se deram de três formas: parcelas em dinheiro; remessas em contas indicadas no exterior; doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores – PT”, revelou.

Para justificar a saída do dinheiro, um dos consórcios montado pelas empresas do cartel e contratada pela Petrobrás fez contratos com as empresas “Legend, Soterra, Power, SM Terraplanagem e Rockstar”.

Segundo delator, eram contratos simulados de aluguéis de equipamentos de terraplanagem para as obras da Repar.

O delator apontou ainda que fez entrega de valores diretamente a Duque e apontou um emissário do ex-diretor conhecido como “Tigrão”.

Ele apontou Barusco ainda como outro recebedor de propinas e a conta em favor da qual eram depositados os valores.

Duque foi solto nesta quarta feira, 3, por volta das 12h40 em Curitiba, após o Supremo Tribunal Federal suspender temporariamente sua prisão cautelar determinada pelo juiz federal Sérgio Moro. O ex-diretor de Serviços estava preso desde o dia 14 de novembro.

O delator Mendonça Filho apontou ainda o elo entre o esquema alvo da Lava Jato e a empreiteira Delta. “As doações oficiais foram feitas entre os anos de 2008 e 2011”, explicou.

Os valores, segundo ele, saíram das empresas Setec Tecnologia e PEM Engenharia. “Todas as empresas faziam parte do esquema criminoso envolvendo a empresa Delta, que eram controladas por (Adir) Assad”. Ele apontou Dario Teixeira como o responsável por operacionalizar as notas dessas movimentações.

A Delta foi apontada em um esquema de corrupção e propina também, com citação ao nome do ex-ministro José Dirceu. Os delatores confirmaram as informações de que Duque havia sido indicado pelo ex-ministro, mas não tinham como provar. Dirceu nega.

Os delatores afirmaram que o “clube” da propina tinha regras e que se organizavam como um “campeonato de futebol”. “As reuniões eram sempre convocadas por SMS (mensagem de texto via celular); existia sempre um coordenador das reuniões; a periodicidade das reuniões variava de acordo com a oferta de oportunidades; as reuniões aconteciam no escritório do coordenador ou no local por ele indicado; e não havia registro da entrada dos participantes no local”, relataram os delatores.

Segundo eles, o empresário Ricardo Pessoa, presidente do UTC Engenharia, foi na maior parte das vezes o “coordenador” do “clube”, que combinava as obras alvo e entregava aos ex-diretores da Petrobrás. Ricardo Pessoa nega a prática de atos ilícitos. Ele está preso desde 14 de novembro.

AUGUSTO 1

 

AUGUSTO 2

 

LEIA A ÍNTEGRA DAS DELAÇÕES QUE FIZERAM RUIR O CARTEL DAS EMPREITEIRAS

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