Propina pagou R$ 267 mil de casamento da filha de Cunha no Copacabana Palace, diz Lava Jato

Propina pagou R$ 267 mil de casamento da filha de Cunha no Copacabana Palace, diz Lava Jato

No pedido de prisão do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Procuradoria da República destaca dados da Receita Federal que verificou que a maioria dos pagamentos das despesas da festa foi feita em dinheiro, 'muitas vezes de forma fracionada e sem a identificação do depositante'

Julia Affonso, Fausto Macedo, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fábio Serapião

19 Outubro 2016 | 16h59

Foto: Reprodução

Eduardo Cunha, Danielle Cunha e Cláudia Cruz. Foto: Reprodução

No pedido de prisão do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o Ministério Público Federal destacou que dinheiro de propina recebida pelo peemedebista bancou despesas globais de R$ 267, 38 mil do casamento de sua filha Danielle Dytz da Cunha no tradicional hotel Copacabana Palace.

“O dinheiro usado para o pagamento do casamento de Danielle Cunha era proveniente de crimes contra a administração pública praticados pelo seu pai’, afirma a força-tarefa da Lava Jato, que analisou dados da quebra de sigilo fiscal realizada pela Receita Federal.

Com uma história gloriosa de quase um século, o Copa, como carinhosamente é chamado, é um dos hoteis mais famosos do mundo. Uma suíte pode custar R$ 14 mil.

Eduardo Cunha foi preso nesta quarta-feira, 19, por ordem do juiz Sérgio Moro, a pedido da Procuradoria da República, no Paraná.

Danielle Cunha casou-se no Copacabana Palace em 25 de junho de 2011. O hotel foi questionado pela Lava Jato a ‘discriminar todos os serviços prestados, tais como aluguel/locação de salões, hospedagem, fornecimento de alimentos/bebidas, segurança, fotografia, cerimonial, equipamento de som, conjunto musical, serviços de decoração, informar nome e CPF/CNPJ das pessoas físicas e jurídicas que também prestaram serviços, caso algum dos serviços não tenham sido prestados pelo hotel e a informar de que maneira foram realizados os pagamentos pelos serviços prestados, acompanhado de documentação comprobatória’.

copacabana palace

O Copacabana Palace informou, segundo a força-tarefa da Lava Jato, que recebeu de Danielle Cunha R$ 35,7 mil em 4 de abril de 2011, R$ 100 mil em 6 de junho de 2011 e R$ 131,684 mil em 17 de junho de 2011. O hotel declarou também que, a pedido de Danielle Cunha, as notas fiscais foram emitidas em nome da C3 Produções Artísticas e Jornalísticas – empresa de Cláudia Cruz, mulher de Eduardo Cunha e madrasta de Danielle.

O Copacabana informou que emitiu nota fiscal de R$ 266.205,90 pelos serviços prestados em favor da C3 Produções e outra nota, de R$ 1.178,10, em favor de Danielle Cunha.

O hotel comunicou a força-tarefa sobre outros prestadores de serviços do casamento. A Receita intimou os serviços de fotografia, decoração, móveis para eventos, toldos para eventos, cerimonial, floricultura e iluminação.

“Todos prestadores de serviços, salvo o decorador Daniel Cruz (que afirmou que recebeu por transferências bancárias da C 3) afirmaram que receberam seus pagamentos por intermédio de depósito bancário em dinheiro”, aponta o documento da Procuradoria.

A Receita Federal concluiu. “Ao analisarmos a contabilidade da empresa C3 Produções Artísticas e Jornalísticas, verificamos que não há lançamentos contábeis relativos às despesas do casamento. Igualmente, também não foram localizados, nos extratos bancários da C 3 Produções, os respectivos pagamentos dessas despesas.”

Análise preliminar do Fisco não identificou saques nas contas bancárias de Danielle Cunha que ‘permitissem a ela efetuar os depósitos nas contas dos prestadores de serviços’.

“Ao que tudo indica, a maioria dos pagamentos das despesas do casamento foi feita em dinheiro, muitas vezes de forma fracionada e sem a identificação do depositante”, diz relatório da Receita.

Para a força-tarefa, ’embora a questão ainda mereça maior aprofundamento, resta claro que o dinheiro usado para o pagamento do casamento de Danielle Dytz da Cunha era proveniente de crimes contra a administração pública praticados pelo seu pai, o ex-deputado federal Eduardo Cunha’.

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