Propina pagou nos EUA até escola de cinema do filho do ‘homem da mala’ de Cabral

Propina pagou nos EUA até escola de cinema do filho do ‘homem da mala’ de Cabral

Documentos entregues por dois delatores da Operação Eficiência revelam que Lucas Miranda, filho de suposto arrecadador de valores ilícitos, e sua namorada Iasmine Bon tiveram quitada a mensalidade de janeiro na renomada academia americana

Mateus Coutinho, Fábio Serapião e Fausto Macedo

26 de janeiro de 2017 | 17h20

NYFA-Downtown

New York Film Academy, em Manhattan. Foto: Divulgação

Enquanto o Estado do Rio enfrenta uma grave crise econômica, com parcelamento de salários de seus funcionários, e pede ajuda do governo federal, o dinheiro da propina que ultrapassa US$ 100 milhões arrecadada pelo grupo do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) era usado para pagar, até uma semana atrás, despesa com curso de cinema na New York Film Academy para o filho mais velho do ex-assessor e ‘homem da mala’ do peemedebista, Carlos Miranda.

Os dois, Sérgio Cabral e Carlos Miranda, estão presos em Bangu 8.

No pedido de prisão do ex-governador e do empresário Eike Batista, no âmbito da Operação Eficiência, deflagrada nesta quinta-feira, 26, o Ministério Público Federal não detalha como Lucas, o filho de Miranda, pediu aos operadores para efetuarem o pagamento – já que Carlos Miranda está preso desde o dia 17 de novembro de 2016, quando foi deflagrada a Operação Calicute.

Os procuradores identificaram na quebra de sigilo dos e-mails do ‘homem da mala’ uma mensagem do filho dele, em 6 de janeiro deste ano, encaminhando a cobrança da mensalidade da escola americana.

OS COMPROVANTES DE PAGAMENTO DA ESCOLA DE CINEMA:

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Documentos entregues pelos operadores do mercado financeiro Renato Chebar e Marcelo Chebar – que fecharam delação premiada com a força-tarefa da Operação Eficiência, deflagrada nesta quinta-feira, 26 -, revelam que Lucas Miranda e até sua namorada Iasmine Bon tiveram pelo menos a mensalidade de janeiro deste ano do curso na renomada escola de cinema paga com dinheiro da conta Andrews Development, nas Bahamas.

Andrews é uma das nove contas usadas pelo grupo de Sérgio Cabral para movimentar propina. Ela era controlada por Renato Chebar, que resolveu colaborar com as investigações e detalhar como funcionava a movimentação financeira ilícita da organização criminosa supostamente liderada por Sérgio Cabral.

Para a força-tarefa da Lava Jato no Rio, ‘documentos juntados pelos colaboradores, dando conta do pagamento de USD 14.045,00 (catorze mil e quarenta e cinco dólares) para Lucas Miranda e USD 9.045,00 (nove mil e quarenta e cinco dólares) para Iasmine Bon, falam por si só’.

Os procuradores chegam a identificar Lucas e Iasmine no Facebook, mas não atribuem nenhum crime ao casal.

 

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Carlos Emanuel de Carvalho Miranda era uma das figuras mais próximas de Cabral ligadas à organização criminosa supostamente liderada pelo ex-governador. Ele era sócio, ex-assessor de confiança e quase da família – foi casado com uma prima de primeiro grau do peemedebista.

Ainda segundo o Ministério Público Federal, Miranda trabalha com Sérgio Cabral, formalmente, em cargos públicos de confiança pelo menos desde 1988. Os dois foram sócios em uma empresa de comunicação durante o mandato do peemedebista como senador, 2003 a 2006.

O E-MAIL DE LUCAS MIRANDA PARA O PAI:

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Apesar de não ter assumido cargos no governo do Estado durante a gestão de Sérgio Cabral (2007/2014), Carlos Miranda era um dos operadores responsáveis por articular e cobrar a arrecadação de propina no esquema de corrupção montado pelo grupo do então governador.

“A confiança que Sérgio Cabral deposita em Carlos Miranda é tanta que ele delega até mesmo a transmissão de sua declaração de imposto de renda, como restou comprovado após a quebra do sigilo fiscal de ambos”, assinalaram os procuradores ao pedirem a prisão do ex-assessor em novembro do ano passado.

Agora, com as novas revelações dos delatores sobre as atividades do grupo criminoso, a força-tarefa no Rio pediu e o juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal do Rio, decretou novamente a prisão preventiva de Miranda, Cabral, Eike e outras seis pessoas.

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