Propina era algo ‘institucionalizado’, diz ex-gerente da Petrobrás

Propina era algo ‘institucionalizado’, diz ex-gerente da Petrobrás

Pedro Barusco confirmou a juiz Sérgio Moro que OAS e empreiteiras associadas na obra de reforma do Centro de Pesquisa da estatal, no Rio teve corrupção para o PT e para agentes corrompidos

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Mateus Coutinho

11 de outubro de 2016 | 05h00

Ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O ex-gerente de Engenharia da Petrobrás Pedro Barusco, que confessou ser uma espécie de contador da propina na Diretoria de Serviços da estatal – cota do PT no esquema de corrupção alvo da Operação Lava Jato -, confirmou nesta segunda-feira, 10, ao juiz federal Sérgio Moro que obra da reforma do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes), no Rio, envolveu pagamentos de 2% para o PT e para os agentes públicos sustentados pelo partido nos cargos. Segundo ele, a propina estava “institucionalizada”.

“As vezes fica difícil responder o que a gente (agentes públicos e partidos) fazia para receber essa propina. Às vezes eu não sabia, porque estava institucionalizada. Tava instituída essa propina, a gente não fazia nada especial para ter essa propina”, declarou Barusco – delator da Lava Jato.

Avaliadas em R$ 850 milhões na época da licitação, em 2008, as obras do Centro de Pesquisa custaram R$ 1 bilhão.

O ex-gerente de Engenharia – que já confessou que o PT recebeu quase US$ 200 milhões em propinas em dez anos via contratos de sua área – foi ouvido ontem como testemunha de acusação do Ministério Público Federal contra ex-executivos da OAS,  entre eles o ex-presidente José Aldemário Pinheiro, e o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira.

“Era uma regra geral, nem sempre aplicável, mas era uma regra geral. Normalmente aplicável quando os contratos era destinados à essas companhias (integrantes do suposto cartel, alvo da Lava Jato).”

Os pagamentos de propina nas obras do Cenpes foram inicialmente acertados com o ex-executivo da OAS Agenor Franklin de Medeiros, que cuidava das tratativas e pagamentos por todas as empreiteiras que formaram o Consórcio Novo Cenpes, responsável pela obra – OAS, Carioca Engenharia, Construbase Engenharia, Construcap CCPS Engenharia e Schahin Engenharia.

Pagamentos. O lobista Mário Góes – também delator da Lava Jato – teria sido o operador de propinas responsável pelos repasses das empresas para os agentes públicos e para o partido.

Barusco, que foi braço direito do ex-diretor de Serviços Renato Duque – indicado pelo PT ao cargo – de 2003 a 2011, disse que em determinado momento de execução do contrato, os pagamentos de propinas passaram a ser feitos diretamente pelas empresas que formavam o consórcio, diretamente.

Os pagamentos direcionados aos agentes públicos eram concentrados por Barusco, segundo ele contou. “Pagamentos em espécie para mim e depósitos em contas no exterior”, afirmou Barusco. “De tempos em tempos fazíamos uma balanço geral.” Era quando operador das empreiteiras e ele acertavam quanto havia sido depositado em contas secretas na Suíça e quanto em dinheiro foi entregue. “Normalmente era na casa do Mário Góes, uma vez em casa e outra no escritório dele, da Riomarine.”

 

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