Propina em Pasadena poderia chegar a US$ 100 milhões, segundo delator

Propina em Pasadena poderia chegar a US$ 100 milhões, segundo delator

Agosthilde Mônaco de Carvalho relatou que quantia seria paga porque litígio em arbitragem se arrastava havia dois anos

Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

16 Novembro 2015 | 19h15

Nestor Cerveró está preso desde o início de janeiro. Foto: André Dusek/Estadão

Nestor Cerveró está preso desde o início de janeiro. Foto: André Dusek/Estadão

A propina na compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA) poderia chegar à cifra de US$ 100 milhões. A informação é do novo delator da Operação Lava Jato, Agosthilde Mônaco de Carvalho, subordinado ao ex-diretor de Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró – principal responsável pelo negócio.

Carvalho declarou ao Ministério Público Federal que Alberto Feilhaber, um ex-executivo da Petrobrás que havia se tornado representante da trading Astra Oil, disse ao engenheiro Carlos Roberto Barbosa – funcionário da Petrobrás cedido à Petrobras America Inc (PAI) – que estaria disposto a pagar entre US$ 80 milhões e até US$ 100 milhões ‘para resolver definitivamente’ litígio em arbitragem relativa à Pasadena – a demanda se arrastava havia dois anos.

 

Segundo ele, o auge da disputa ocorreu entre 2010 e 2012.

trecho 80 a 100 milhões

Nesta segunda-feira, 16, a Polícia Federal deflagrou a Operação Corrosão, 20ª fase da Lava Jato. A nova etapa da investigação mira em Pasadena, caso emblemático da corrupção instalada na Petrobrás. Segundo o Tribunal de Contas da União, a compra da refinaria causou um prejuízo de US$ 792 milhões.

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O litígio envolveu a compra da segunda metade da refinaria da Astra – negócio iniciado em 2005 por Cerveró. Tanto Carvalho como outro delator da Lava Jato, Fernando Baiano, confessaram terem participado da movimentação de propina de US$ 15 milhões, na primeira etapa do negócio, envolvendo a compra de 50% da unidade da antiga dona, a Crown.

Na ocasião, Mônaco de Carvalho exercia a função de assistente do diretor da Área Internacional – cadeira que ocupou entre 2003 e 2008. “Após o início do processo de arbitragem, o declarante (Mônaco de Carvalho) recebeu a visita do sr. Alberto Failhaber na BR Distribuidora.”

A visita, segundo o delator, ocorreu pouco antes da data designada para o depoimento do então diretor de Internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró, nos Estados Unidos.

“Neste dia, o sr. Alberto Failhaner pediu a Cerveró para ‘dar uma força’ junto ao diretor Zelada (Jorge Zelada, sucessor de Cerveró na Internacional), auxiliando no fechamento de um acordo pois a Astra estava precisando de dinheiro. Nestor Cerveró disse que não teria condições de ajudar; que, posteriormente, no auge da disputa em litígio nos Estados Unidos o engenheiro Carlos Roberto Barbosa disse ao declarante (Mônaco de Carvalho) que o sr. Alberto Failhaber estaria disposto a pagar a quantia variável de US$ 80 milhões e US$ 100 milhões para resolver definitivamente o problema.”

Mônaco de Carvalho disse que ’em uma viagem de rotina’ ele tomou conhecimento que a Astra Oil teria adquirido uma refinaria em Pasadena e que ‘um ex-funcionário da Petrobrás, Alberto Failhaber, era vice-presidente da operação de trading para a América Latina nesta empresa’.

O novo delator da Lava Jato disse que pediu ao engenheiro Carlos Roberto Barbosaque o ajudasse a fazer contato com Failhaber. Segundo ele, os dois, Failhaber e Carlos Roberto Barbosa, haviam trabalhado juntos na Petrobrás e ‘mantinham uma relação de amizade’.

“Em janeiro de 2005, soube que a empresa tinha acabado de adquirir a refinaria de Pasadena e teria interesse de negociar até 100% da mesma”, relatou Mônaco de Carvalho. Ele disse, ainda, que Cerveró o orientou a receber Alberto Failhaber na Petrobrás ‘para confirmar o teor da proposta’.