Propina é ‘prática corriqueira’ de Bendine, diz Moro

Propina é ‘prática corriqueira’ de Bendine, diz Moro

Juiz da Lava Jato afirmou ser ‘assustador’ que o ex-presidente da Petrobrás tenha recebido, após a prisão de Marcelo Odebrecht, duas parcelas de propina de R$ 1 milhão cada da empreiteira, em 2015

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Luiz Vassallo

31 de julho de 2017 | 19h52

Sérgio Moro. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

Ao mandar prender em regime preventivo o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás Aldemir Bendine, nesta segunda-feira, 31, o juiz federal Sérgio Moro afirmou que pedir propina é ‘uma prática corriqueira’ para o executivo.

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“De particular gravidade, a solicitação e o recebimento, em cognição sumária, de vantagem indevida em dois momentos temporais e circunstancias distintos. Teria solicitado vantagem indevida no cargo de Presidente do Banco do Brasil e teria reiterado a solicitação depois de assumir o cargo de Presidente da Petrobrás”, afirmou Moro, no despacho em que converteu a prisão temporária de Bendine em preventiva, ou seja, sem prazo para terminar.

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Bendine e os irmãos André Gustavo e Antonio Cláudio Vieira da Silva, seus supostos operadores financeiros, foram presos temporariamente na quinta-feira, 27, pela Operação Cobra, 42.ª fase da Lava Jato. O ex-presidente da Petrobrás é suspeito de receber R$ 3 milhões em propina da Odebrecht.

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Para o magistrado, é ‘especialmente assustador’ que Bendine tenha recebido duas parcelas de propina em 24 de junho de 2015 e 1.º de julho de 2015, ‘após a efetivação da prisão preventiva do presidente do Grupo Odebrecht (Marcelo Odebrecht) em 19 de junho de 2015’.

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O juiz da Lava Jato citou, na decisão, um trecho do diálogo travado pelo empresário Joesley Batista e pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG). A conversa foi gravada por Joesley e entregue à Procurador-Geral da República como parte do acordo de delação premiada do executivo.

“Também relevantes, mais recentemente, o fato de o empresário Joesley Batista, em diálogo gravado, teria indicado o nome de Aldemir Bendine para a Presidência da Vale em troca de compensação financeira a seu grupo e a agentes políticos, acordo criminoso este que contaria com o conhecimento de Aldemir Bendine”, lembrou Moro.

“Essa sucessão de fatos sugere que a solicitação e o recebimento de vantagem indevida por Aldemir Bendine não foram algo ocasional em sua vida profissional, mas uma prática corriqueira.”

Em seu depoimento à Polícia Federal nesta segunda-feira, 31, Bendine negou que tenha recebido propina de R$ 3 milhões da Odebrecht. Ele afirmou que não recebeu valores ilícitos de qualquer empresa.

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