Propina de Duque foi roubada no centro do Rio, diz Lava Jato

Denúncia do Ministério Público Federal aponta que representante de empresa italiana iria entregar R$ 100 mil em espécie a ex-diretor da Petrobrás, mas foi vítima de assalto

Redação

29 de julho de 2015 | 16h13

Duque foi preso nesta segunda-feira, no Rio. Foto: Fábio Motta/Estadão

Duque foi preso no Rio. Foto: Fábio Motta/Estadão

Por Julia Affonso e Fausto Macedo

O ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, preso desde março na Operação Lava Jato, ‘perdeu’ uma propina de R$ 100 mil em 2011. Denúncia da força-tarefa do Ministério Público nesta quarta-feira, 29, aponta que o dinheiro endereçado a Duque foi roubado no centro do Rio, próximo à sede da estatal petrolífera. Os R$ 100 mil estavam em poder do executivo João Antônio Bernardi Filho, representante da empresa italiana Saipem, de serviços de petróleo.

“Entre os meses de janeiro e agosto de 2011, no município do Rio de Janeiro/RJ, o denunciado João Antônio Bernardi Filho, de modo doloso, ofereceu e prometeu o pagamento de vantagem econômica indevida no valor de pelo menos R$ 100 mil ao denunciado Renato de Souza Duque”, sustenta a Procuradoria. “Numa ocasião em que o pagamento seria efetivado, João Bernardi foi assaltado com R$ 100 mil em espécie, quase em frente a sede da Petrobrás na centro do Rio de Janeiro.”

Esta é a terceira denúncia contra o ex-diretor na Operação Lava Jato. Ele é acusado de favorecer a Saipem na contratação da obra de instalação do Gasoduto Submarino de Interligação dos Campos de Lula e Cernambi. Segundo a força-tarefa, João Bernardi é representante da Saipem.

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Na nova denúncia Duque não está só. Também são acusados João Bernardi, a advogada Christina Maria da Silva Jorge, o empresário Antônio Carlos Briganti Bernardi – filho de João Bernardi -, e o lobista Julio Gerin de Almeida Camargo, delator da Lava Jato que declarou ter sido pressionado pelo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), por uma propina de US$ 5 milhões.

“João Bernardi (representante da Saipem) atuou lavando dinheiro proveniente de crimes de corrupção em favor de Renato de Souza Duque, mediante a utilização das contas das empresas Hayley S/A e Hayley do Brasil para o recebimento e posterior internalização dos valores provenientes de crime. A Hayley do Brasil, por sua vez, ocultava e dissimulava o pagamento de vantagem indevida a Renato de Souza Duque por intermédio da aquisição e posterior destinação de obras de arte ao ex-diretor”, aponta denúncia da Procuradoria.

Duque é apontado como elo do PT no esquema de pagamento de propinas na Petrobrás. Ele teria sido indicado ao cargo pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula), que nega.

O ex-diretor da Petrobrás foi preso após a Polícia Federal flagrar a tentativa dele de ocultar patrimônio não declarado na Suíça por meio da transferência de 20 milhões de euros para uma conta no Principado de Mônaco. Duque já é réu em duas ações penais da Lava Jato.

A nova denúncia será submetida ao juiz federal Sérgio Moro, que vai decidir se abre mais um processo criminal contra o ex-diretor de Serviços da estatal.

O advogado de Renato Duque, criminalista Alexandre Lopes, não foi localizado pela reportagem.

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