Propina da JBS a Temer chegaria a R$ 38 milhões em nove meses, diz Janot

Propina da JBS a Temer chegaria a R$ 38 milhões em nove meses, diz Janot

Procurador-geral da República afirma em denúncia por corrupção passiva que presidente era destinatário final de 'montante espúrio' do grupo

Fábio Serapião e Breno Pires, de Brasília, e Luiz Vassallo

27 de junho de 2017 | 05h00

Presidente da Republica Michel Temer FOTO: DIDA SAMPAIO / ESTADAO

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que a propina do grupo J&F ao presidente Michel Temer poderia chegar ao montante de R$ 38 milhões em um período de apenas nove meses. A informação consta da denúncia que Janot apresentou contra o presidente ao Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva. O ex-assessor especial do presidente, Rodrigo Rocha Loures, apontado como o homem da mala preta, também é acusado.

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Na noite de 28 de abril, Loures foi flagrado por agentes da Polícia Federal correndo por uma rua de São Paulo carregando uma mala estufada de propinas da JBS – 10 mil notas de R$ 50, somando R$ 500 mil.

O dinheiro, afirma a Procuradoria, foi oferecido por Joesley Batista, principal acionista da JBS, e entregue ao homem da mala pelo executivo Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da J&F, controladora da JBS.

Joesley e Saud fizeram delação premiada.

O procurador-geral está convencido que o destinatário final do dinheiro era Temer. O procurador assinala que Loures era ‘homem da estrita confiança do presidente, verdadeiro longa manus do presidente’.

“As provas trazidas aos autos reforçam a narrativa dos colaboradores de que em nenhum momento o destinatário final da propina era Rodrigo Loures”, assinala Janot. “A vantagem indevida, em verdade, destinava-se a Michel Temer, a quem os colaboradores e o próprio Rodrigo Loures se referem como ‘chefe’ ou ‘Presidente'”, afirma Janot.

“O montante espúrio de R$ 500 mil, recebido por Rodrigo Loures para Michel Temer, foi viabilizado e repassado, após aceitação, pelo próprio Rodrigo Loures, com vontade livre e consciente, unidade de desígnios e comunhão de ações com Michel Temer, de uma oferta de valores que poderiam chegar ao patamar de R$ 38 milhões ao longo de aproximadamente 9 meses, prometido por Joesley Batista, por intermédio de Ricardo Saud.”

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