Propina da Cruz Vermelha pagou casa de secretária de Administração da Paraíba, diz ex-assessor

Propina da Cruz Vermelha pagou casa de secretária de Administração da Paraíba, diz ex-assessor

Leandro Nunes Azevedo diz que pegou mochilas de R$ 900 mil com uma emissária de um dirigente da entidade em nome de Livânia Farias, chefe da pasta; ela teria pago R$ 400 mil em um imóvel no interior do Estado

Luiz Vassallo

12 de março de 2019 | 05h09

Reprodução

Um ex-assessor do governo da Paraíba afirmou, em depoimento, ter recebido R$ 900 mil em propinas da Cruz Vermelha em nome da secretária de Administração, Livânia Farias. Segundo o ex-funcionário, homem de confiança da chefe da pasta, ela ainda teria comprado uma casa de R$ 400 mil no interior do Estado com o dinheiro.

Documento

Leandro Nunes Azevedo ficou preso em todo o mês de fevereiro na Operação Calvário II, deflagrada pelo Ministério Público Estadual contra fraudes em repasses de R$ 1,1 bilhão para contratos da Saúde da Paraíba. Os termos foram firmados com a Cruz Vermelha Brasileira, filial do Rio Grande do Sul e o Instituto de Psicilogia Clínica, Educacional e Profissional.

De acordo com as investigações a Cruz Vermelha, que administra o hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, teria firmado contratos superfaturados para viabilizar desvios de verbas recebidas pelo Estado.

Leandro Nunes Azevedo, gestor de contrato da Secretaria Estadual de Administração, foi preso por ter ‘viajado
para o Rio de Janeiro com a única finalidade de receber uma caixa contendo o pagamento de “propina’, evento filmado por câmeras do hotel em que ele ficou hospedado, sendo este o local definido para o encontro com Michelhe Louzada Cârdoso’, braço direito do dirigente da Cruz Vermelha Leandro Nunes Azevedo. O repasse ocorreu em agosto de 2018.

Após a prisão, Leandro prestou depoimento em que põe a secretária de Administração do Estado no centro das propinas em contratos de Saúde alvo da Calvário.

O ex-assessor afirmou que ‘a comunicação com Michelle foi feita através de um telefone que ele comprou um dia antes da viagem, e devia se comunicar com um número de telefone que Livânia passou para ele, que recebeu de Daniel originalmente’. Trata-se de Daniel Gomes, dirigente da Cruz Vermelha acusado de chefiar a organização criminosa que assolou a saúde da Paraíba.

Leandro narra que Daniel comprou o aparelho em uma loja de departamentos com um CPF que encontrou na internet e que usou o número para ligar a Michelle para informar que estava no hotel.

‘Mais do que o combinado’

“O pedido de realização da viagem foi de Livânia através de Daniel, que veio à Paraíba e conversou com ela, a qual entrou em contato com Leandro e solicitou que ele viajasse para receber o dinheiro, dois dias antes do dia da viagem”, relata.

Ele afirma que se encontrou com Michelle no saguão, onde teria ouvido dela: Eu trouxe esse vinho para você”. “Ao chegar no quarto e abrir a caixa, vi que tinha mais dinheiro do que havia combinado, quase R$ 900 mil reais quando
Livânia tinha dito que haveria R$ 700 mil”.

O objetivo teria sido ‘adiantar pagamento de fornecedores de campanha por serviços ainda não prestados’. “Antes da viagem combinei com Livania quem seriam as pessoas que iam receber e combinei com eles para ir ao Rio. Ficou definido que iriam Zé Nilson (Adesivo Torres), Weber (Plastlfort) e Henrique (Prática Etiquetas), Junior (carro de som) não estava muito seguro e preferiu que ele não fosse. Viajaram separados”.

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O imóvel

O ex-assessor afirmou ainda que, com dinheiro da propina da Cruz Vermelha, Livânia comprou uma casa em Sousa, no sertão da Paraíba. “O imóvel foi pago com o dinheiro que eles manipulavam da propina oriunda da Cruz Vennelha, que estava na minha casa, mas quem recebia era Livânia, e ela mandava ele guardar. Sempre que ela precisava de dinheiro, pedia a ele, nunca transacionava na própria conta”.

“O pagamento da segunda parcela, realizado por Leandro, sozinho, foi feito no Atacadão Rocha, 200 mil, numa mochila, tendo sido entregue ao dono (WALTER), no escritório. Tinha outra pessoa na sala, mas não se recorda quem era. Soube depois que ele ligou para Livânia dizendo que tinha faltado dinheiro, de forma que Leandro voltou para entregar o restante. Em ambas as vezes foi no carro de Livânia, a BMW”, afirmou.

COM A PALAVRA, LIVÂNIA

A reportagem entrou em contato com a assessoria do governo da Paraíba. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, CRUZ VERMELHA

A reportagem entrou em contato com a Cruza Vermelha. O espaço está aberto para manifestação.

 

 

 

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