Propina bancou festa da filha de Marcelo Miranda, governador do Tocantins, aponta Reis do Gado

Propina bancou festa da filha de Marcelo Miranda, governador do Tocantins, aponta Reis do Gado

Investigação indica que empreiteiro Rossine Aires Guimarães, proprietário da CRT, pagou R$ 40 mil ao peemedebista em 31 de maio de 2010 em cheque

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

30 de novembro de 2016 | 05h00

Governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB). Foto: Silvio Santos/ALTO

Governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB). Foto: Silvio Santos/ALTO

A Operação Reis do Gado aponta que o governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), recebeu propina de R$ 40 mil do empreiteiro Rossine Aires Guimarães, proprietário da CRT (Construtora Rio Tocantins). O dinheiro, aponta a investigação, teria sido transferido em 31 de maio de 2010 e usado para ‘custear despesa da festa de aniversário da filha do governador’.

O Ministério Público Federal indica que a quantia foi paga ‘mediante cheque emitido pelo empresário e depositado na conta do governador’. “Os ajustes fraudulentos contábeis e fiscais, a funde conferir aparência de legalidade ao negócio, caberiam ao contador Alaor Junqueira”, sustentam os investigadores.

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O peemedebista está em seu terceiro mandato (2003-2009 e desde 2015). Marcelo Miranda foi alvo de mandado de condução coercitiva da Operação Reis do Gado na segunda-feira, 28. O governador foi ouvido na sede da Justiça Federal, em Palmas.

A operação apura um esquema que teria atuado no Estado do Tocantins praticando crimes contra a administração pública e promovendo a lavagem de capitais por meio da dissimulação e ocultação dos lucros ilícitos no patrimônio de membros da família do governador do Estado.

Segundo o delegado regional de combate ao crime organizado, Cleyber Malta, da Polícia Federal, a Operação Reis do Gado identificou R$ 200 milhões em patrimônio financeiro e de bens da família do governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), em nome de terceiros, entre 2005 e 2012. Segundo o delegado, ao final deste período, parte dos valores teria voltado para a família, ‘saindo do nome dos laranjas’.

“Diversos bens da família Miranda teriam sido registrados ou estiveram na posse de terceiros em especial entre 2005 e 2012”, afirmou.

“Após a autorização para a abertura de inquérito, várias diligências foram realizadas e de fato nós confirmamos que esses bens, fazendas, diversos imóveis urbanos, gado, estariam registrados em nome de terceiros, laranjas, durante todo este período, chegando a constituir cerca de R$ 200 milhões em patrimônio em nome de terceiros. (Deste total) R$ 60 milhões, aproximadamente, em dinheiro em espécie na conta de terceiros e diversos outros bens. Ao final desse período, parte desses valores teria voltado para a posse da família, saindo do nome de laranjas.”

A reportagem não localizou Rossine Aires Guimarães.

O advogado Solano Donato, que defende Marcelo Miranda, afirmou à reportagem. “Nunca ouvi falar a respeito. Certamente não ocorreu.”

 

 

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