Promotoria vai abrir novas frentes de investigação no caso Beto Richa

Promotoria vai abrir novas frentes de investigação no caso Beto Richa

Ministério Público do Paraná rastreia crimes de organização criminosa, obstrução de justiça, lavagem de dinheiro, peculato e 'outros delitos licitatórios' que podem envolver ex-governador e aliados

Luiz Vassallo

26 de setembro de 2018 | 05h50

Beto Richa. Foto: Ricardo Almeida/ANPr

O Ministério Público do Paraná decidiu abrir novas frentes de investigação que podem levar à apresentação de outras denúncias criminais contra o ex-governador Beto Richa (PSDB), candidato ao Senado, e pessoas ligadas a ele. Na acusação formal contra o tucano por corrupção passiva e fraude a licitação no âmbito da Operação Radiopatrulha, levada nesta terça, 25, à Justiça do Estado, os promotores do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado comunicaram o juiz Fernando Fischer, da 13.ª Vara Criminal de Curitiba, quais são os próximos passos.

“Relativamente aos crimes de organização criminosa, obstrução de justiça, lavagem de dinheiro, peculato e outros crimes licitatórios, considerando a necessidade de realização de novas diligências, o Ministério Público informa que serão instaurados procedimentos investigatórios criminais autônomos”, anotaram os quatro promotores de Justiça que cercam o tucano – Denilson Soares de Almeida, Emiliano Antunes Motta Waltrick, Fernando Cubas César e Wagner Veloso Hultmann.

Documento

Os promotores assinalam que em razão da necessidade de mais investigações ‘por ora, (o Ministério Público) deixa de denunciar os investigados Fernanda Bernardi Veira Richa e Dirceu Pupo Ferreira.

Beto Richa e os negócios imobiliários sob suspeita

Fernanda é mulher de Beto Richa. Dirceu é o contador e homem de confiança dos negócios imobiliários do tucano.

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Beto Richa e sua mulher foram presos no dia 11, por ordem do juiz Fernando Fischer, que conduz a Operação Radiopatrulha – investigação sobre supostas propinas para o ex-governador em contratos de manutenção de estradas rurais no Paraná, entre 2012 e 2014.

Beto Richa chama ex-aliados de ‘oportunistas’ e diz que segue em campanha ‘sozinho’

No dia 14, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo, mandou soltar o casal Richa.

Nesta terça, 25, a Promotoria denunciou criminalmente o ex-governador por corrupção passiva e fraude a licitação. Também são acusados outros 12 investigados, entre eles um irmão do tucano, Pepe Richa, e o ex-chefe de gabinete e braço direito do ex-governador, Deonilson Roldo.

A Radiopatrulha foi impulsionada pela delação premiada do empresário Antônio Celso Garcia, o Tony Garcia, antigo aliado do ex-governador.

“O denunciado Carlos Alberto Richa, então governador do Estado do Paraná, e principal destinatário final das vantagens indevidas prometidas pelos empresários, plenamente ciente das tratativas e reuniões realizadas, notadamente através de seu – então amigo Antônio Celso Garcia, convalidou todo o arranjo criminoso, inclusive o aceite da promessa de vantagem indevida, autorizando, em seguida, a abertura de concorrência pública para a contratação das empresas, no valor máximo de R$ 72,1 milhões, conforme ‘Despacho do Governador’, de 28 de novembro de 2011”, aponta o Ministério Público.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE BETO RICHA

“A denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado do Paraná (MPE-PR) contra o ex-governador Beto Richa, assim como a prisão temporária decretada no dia 11 de setembro, é baseada única e exclusivamente em termos de depoimento de colaborador premiado já conhecido do Poder Judiciário paranaense, sem qualquer base em provas de suas falaciosas alegações. Ainda mais grave, sem a mínima diligência investigativa por parte do próprio MPE-PR ou da Polícia Civil para fins de verificar as ilações feitas pelo delator. Contudo, permanece a confiança na Justiça, que, em tempo certo, reestabelecerá a verdade e a honra da família Richa.”

Curitiba, 25 de setembro de 2018.

COM A PALAVRA, DEONILSON ROLDO

A reportagem fez contato com a defesa. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO MARLUS ARNS, QUE DEFENDE EZEQUIAS MOREIRA RODRIGUES

“A defesa de Ezequias Moreira Rodrigues, representada pelo advogado Marlus Arns de Oliveira, informou que apresentará sua defesa nos autos demonstrando que não são verdadeiras as acusações.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO BENO BRANDÃO, QUE DEFENDE CELSO FRARE

“A defesa do empresário Celso Frare informa que ele concedeu um depoimento esclarecedor ao Ministério Público do Paraná, bem como por iniciativa própria solicitou e realizou depósito de ressarcimento de eventuais danos aos cofres públicos. O empresário segue à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários. Fundamental destacar a grave contradição da denúncia do MP, baseada em colaboração de Tony Garcia que cita pagamentos ilícitos no montante de R$ 700 mil, ao sustentar valores em torno de R$ 8 milhões”.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO DOUGLAS COPETTI, QUE DEFENDE EMERSON E ROBISON SAVANHAGO

“A defesa de Robison e Emerson Savanhago se manifesta no sentido de que os clientes estarão à disposição para contribuir com a Justiça. A defesa ainda não foi intimada de denúncia, momento no qual vamos conseguir rebater os fatos imputados a eles. A defesa também se manifesta sobre a decisão do ministro Gilmar Mendes em revogar a prisão dos réus, que veio colaborar com a legalidade uma vez que o pedido efetivado pelo Ministério Público do Paraná, por intermédio do Gaeco, estava eivado de ilegalidade. A prisão na modalidade coercitiva já foi declarada ilegal. Os réus em momento algum foram intimados a depor no Ministério Público antes da prisão temporária.”

COM A PALAVRA, A ADVOGADA MARINA FAVRETTO, QUE DEFENDE ANDRÉ FELIPE DENIG BANDEIRA

“A denúncia é totalmente desproporcional e, quanto ao meu cliente, desprovida de provas suficientes para embasá-la. Esperamos que o judiciária tenha bom senso em rejeitá-la.”

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