Promotoria questiona representatividade dos negros na publicidade

Promotoria questiona representatividade dos negros na publicidade

Direitos Humanos do Ministério Público de São Paulo lança mais uma fase da campanha embasada em inquérito que investiga a falta de participação de negros em publicidade

Luiz Vassallo e Julia Affonso

22 Março 2017 | 05h45

Foto: MPSP

Foto: MPSP

A Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital, área de Inclusão Social, lança, nesta terça-feira, 21, Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, nova fase da campanha “Por que só um tom de pele?”, na página do Facebook do Ministério Público Estadual de São Paulo. De acordo com nota da Promotoria paulista, objetivo é questionar a baixa participação dos negros em peças publicitárias. O projeto é parte de inquérito civil instaurado pela Promotoria de Justiça para apurar o tema.

O Ministério Público de São Paulo informa que vai propor, nos próximos três dias, por meio de vídeos, um debate, entre produtores de conteúdo, estudantes de publicidade e anunciantes, sobre o tema.

Segundo a promotoria, apesar de o último levantamento do IBGE, de 2015, apontar que 54% da população brasileira é composta por negros e pardos, em 2016, apenas 24% dos comerciais com protagonistas crianças ou casais eram negros ou pardos, concluiu estudo da agência de propaganda Heads, em parceria com a ONU Mulheres.

A pesquisa da Etnus indica também que apenas 0,7% dos cargos de alta direção das principais agências de publicidade do país são ocupados por negros. Para os promotores de Justiça Eduardo Valério e Beatriz Fonseca, o estudo é um importante reflexo de como as equipes criadoras de conteúdo não conseguem representar a diversidade do país.

“A publicidade não é apenas uma atividade econômica, mas também uma expressão cultural. Por isso, deve refletir a pluralidade étnica e cultural brasileira. Além disto, o negro cada vez mais amplia sua capacidade de consumo e parece que os publicitários não conseguem dialogar com ele. A busca da plena igualdade racial, nos termos do Estatuto da Igualdade Racial, passa por este aspecto”, afirma Eduardo Valério ao site do Ministério Público de São Paulo.

A Promotoria paulista aponta que o Estatuto da Igualdade Racial recomenda que na produção de filmes, peças publicitárias e programas destinados à veiculação pelas emissoras de televisão e em salas cinematográficas deverá ser adotada a prática de conferir oportunidades de emprego para atores, figurantes e técnicos negros.
“Sendo vedada toda e qualquer discriminação de natureza política, ideológica, étnica ou artística, não se aplicando aos filmes e programas que abordem especificidades de grupos étnicos determinados”, destaca o Ministério Público de São Paulo.

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