Promotoria prende vereadores de Igarapava por ‘mensalinho’ de ex-prefeitos

Promotoria prende vereadores de Igarapava por ‘mensalinho’ de ex-prefeitos

Gaeco, braço do Ministério Público de São Paulo, executa com apoio da Polícia Militar segunda fase da Operação Pândega, que mira políticos do município de 32 mil habitantes na região de Franca

Redação

31 Julho 2018 | 14h12

Foto: Reprodução/Câmara de Vereadores de Igarapava

Promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Militar, deflagraram nesta terça-feira, 31, a segunda fase da Operação Pândega para cumprimento de sete mandados de prisões temporárias contra vereadores, ex-vereadores e outros investigados, além de 34 mandados de buscas apreensões.

Segundo a Promotoria, o objetivo da missão ‘é desarticular organizações criminosas compostas por agentes públicos e empresários de Igarapava’. Os vereadores recebiam ‘mensalinho’ de ex-prefeitos do município de 32 mil habitantes situado a 440 quilômetros de São Paulo, na região de Franca.

A primeira fase da operação foi deflagrada no dia 10, quando houve seis prisões temporárias e ainda o cumprimento de 32 mandados de buscas e apreensões. Entre os presos, estavam os irmãos Carlos Augusto Freitas e Sérgio Augusto Freitas, ambos ex-prefeitos do município. Os dois continuam detidos, segundo informou o Ministério Público.

“No transcorrer da investigação, os promotores de Justiça descobriram que os vereadores passaram a receber, desde 2013, uma espécie de mensalinho para formar a maioria da Câmara Municipal e, assim, conferir apoio político ao então prefeito Carlos Augusto Freitas”, destaca a Promotoria.

Um dos alvos da nova etapa da Pândega é o vereador Luís Antônio de Souza, o ‘Tiekinha’ (PTB). No site da Câmara de Igarapava, ‘Tiekinha’ afirma.”Quero trabalhar com a população e para a população. Tenho o ideal de lutar pelos interesses de todos,principalmente daqueles que mais necessitam, pois sabemos de nossas carências. Precisamos de mais empregos, mais esporte, mais lazer, maior qualidade de vida. Sonho, portanto, com uma Igarapava melhor para todos e vou me dedicar ao máximo para que isso aconteça.”

Segundo o Ministério Público, no período de 2013 a 2016, ‘a organização criminosa fraudou procedimentos licitatórios e superfaturou contratos mantidos com o município com o intuito de levantar recursos para pagar vantagens indevidas aos vereadores’.

Em contrapartida, os vereadores aprovaram projetos de lei prejudiciais à população, ‘tendo como resultado um imenso déficit no Orçamento da cidade’.

A operação ocorreu nas cidades de Igarapava, Rifaina, Ribeirão Preto, Delta, Uberaba e Uberlândia, contando com o apoio dos Gaecos destas duas cidades mineiras, bem como da Polícia Militar paulista e da PM de Minas.

A reportagem está tentando contato com as defesas dos ex-prefeitos de Igarapava. O espaço está aberto para manifestação.

No site da Câmara de Igarapava, o vereador petebista ‘Tiekinha’ afirma.”Quero trabalhar com a população e para a população. Tenho o ideal de lutar pelos interesses de todos,principalmente daqueles que mais necessitam, pois sabemos de nossas carências. Precisamos de mais empregos, mais esporte, mais lazer, maior qualidade de vida. Sonho, portanto, com uma Igarapava melhor para todos e vou me dedicar ao máximo para que isso aconteça.”

COM A PALAVRA, A CÂMARA DE IGARAPAVA

“Esclarecemos que a Câmara Municipal de Igarapava ainda não tem nada de forma oficial. Estamos aguardando do Ministério Público esse comunicado.”

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