Promotoria prende cinco vereadores no Maranhão por propina para arquivar CPI contra prefeita

Promotoria prende cinco vereadores no Maranhão por propina para arquivar CPI contra prefeita

Ministério Público descobre esquema de corrupção e associação criminosa na Câmara de Vitória do Mearim, a 175 quilômetros de São Luís; agentes cumpriram nesta quarta, 5, cinco mandados de prisão temporária e oito de buscas contra parlamentares acusados

Pepita Ortega

05 de junho de 2019 | 13h54

Vitória do Mearim. Foto: Google Maps

O Ministério Público do Maranhão, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e em parceria com a Polícia Civil, cumpriu, na manhã desta quarta, 5, cinco mandados de prisão temporária contra vereadores da cidade de Vitória do Mearim, município situado a cerca de 175 km da capital São Luís. Também foram realizadas oitos buscas em endereços de parlamentares da cidade.

Segundo informou o Ministério Público, são alvo das prisões os vereadores Hélio Wagner Rodrigues Silva, Oziel Gomes da Silva, Mauro Rogério Pires, José Mourão Martins e Benoa Marcos Rodrigues Pacheco. Suas residências foram vasculhadas pelos agentes.

Também os endereços dos parlamentares George Maciel da Paz, Marcelo Silva Brito e Raimundo Nonato Costa da Silva foram alvo de buscas.

As medidas se deram no âmbito de investigação que apura supostos crimes de corrupção passiva e associação criminosa.

A Promotoria põe sob suspeita o presidente da Câmara de Vitória do Mearim, George Maciel da Paz, e outros sete vereadores.

Segundo o Ministério Público, ‘as prisões tem o objetivo de evitar que os vereadores destruam ou omitam provas, ou até mesmo influenciem ou ameacem as testemunhas que serão ouvidas até a conclusão das investigações’.

Os parlamentares teriam solicitado vantagem financeira ao secretário-chefe da Assessoria de gabinete da prefeitura Almir Coelho Sobrinho em troca do arquivamento de Comissão Parlamentar de Inquérito que está em andamento na Câmara.

Vitória do Mearim. Foto: Google Maps

A CPI foi instaurada contra a prefeita Dídima Maria Corrêa Coelho, que é mulher de Altair Coelho Sobrinho, indica o Ministerio Público.

Ao prestar declarações, Altair teria apresentado gravações de conversas mantidas com os vereadores para ajustar os valores a serem pagos.

Segundo o Ministério Público, ‘o presidente da Câmara, George Maciel da Paz, e os vereadores Hélio Wagner Rodrigues Silva, Oziel Gomes da Silva, Marcelo da Colônia, Nego Mauro, José Mourão Martins e Nonato do Chelo, se uniram para pedir o pagamente de R$ 320 mil, parcelado em duas vezes, garantindo a maioria dos votos contra a CPI’.

O vereador Benoa Marcos Rodrigues Pacheco, o ‘Bena’, que é investigado por corrupção passiva, teria pedido R$ 100 mil.

O Ministério Público aponta que os áudios apresentados por Altair Sobrinho mencionam que cada vereador receberia uma parcela de R$ 10 mil e outra de R$ 20 mil, mas George, Hélio e Oziel receberiam R$ 70 mil, sem que os outros soubessem.

Em depoimento, Altair Sobrinho indicou que havia um ‘plano paralelo’ entre os vereadores para afastar a prefeita para que sua vice assumisse o cargo.

Assim, Dídima poderia sacar R$ 2, 2 milhões, referente a royalties de mineração destinados ao município. O valor seria dividido entre o grupo, aponta a investigação.

Segundo o Ministério Público, o ‘plano’ foi evidenciado pela aprovação dos vereadores, em sessão extraordiária, de uma Proposta de Emenda à Lei Orgânica que possibilitaria o afastamento do prefeito em razão do início de procedimento para apurar crimes de responsabilidade.

A votação teria acontecido no mesmo dia que Altair Sobrinho se negou a efetuar o pagamento dos valores solicitados.

Os parlamentares presos ficarão no Complexo Penitenciário de Pedrinhas pelo prazo de cinco dias, mas a detenção pode ser prorrogada por mais cinco.

Os celulares e computadores apreendidos nas buscas serão encaminhados ao Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro do Ministério Público para a extração e análise de dados.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE VITÓRIA DO MEARIM

A reportagem busca contato com a prefeita Dídima. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A CÂMARA DE VITÓRIA DO MEARIM

A reportagem tenta contato com a Câmara de Vitória do Mearim. O espaço está aberto para a defesa dos vereadores presos na ação da Promotoria.

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