Promotoria mira nove empresas por chope de graça aos funcionários que votarem nos candidatos dos patrões

Promotoria mira nove empresas por chope de graça aos funcionários que votarem nos candidatos dos patrões

Ministério Público de Cianorte, no interior do Paraná, abre procedimento para investigar 'voto de cabresto' por meio de promessa de benesses aos empregados, incluindo churrasco livre e segunda feira de folga

Caio Blois, especial para o Estado

05 Outubro 2018 | 13h58

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

O Ministério Público do Paraná abriu procedimento preparatório eleitoral para investigar nove empresas do município de Cianorte que estariam tentando induzir seus empregados a votar em seus candidatos. A prática, conhecida como voto de cabresto, configura crime eleitoral por conduta de captação ilícita de votos.

Cianorte, com cerca de 80 mil habitantes, fica localizada a 540 quilômetros da capital Curitiba.

A investigação foi aberta com base em documentos indicando que as empresas prometeram benesses aos empregados em troca de votos, como dispensa do expediente na segunda-feira após a eleição e uma comemoração com churrasco e chope grátis caso o candidato dos patrões seja eleito no primeiro turno.

Os documentos encaminhados à Promotoria Eleitoral continham um aviso de que eleitores de candidatos rivais seriam ‘expulsos’ caso fossem às eventuais comemorações.

Na última quarta, 3, a Justiça Eleitoral de Santa Catarina proibiu a Havan de promover a mesma prática. O dono da empresa, Luciano Hang, apoia Jair Bolsonaro (PSL), e estaria tentando influenciar o voto de seus funcionários com ameaças de demissão em massa e saída do país.

Além de abrir investigação sobre a conduta de 9 empresas de Cianorte, o Ministério Público do Paraná emitiu recomendação administrativa para a classe empresarial destacando que ‘é vedado ao empregador praticar qualquer ato que obrigue ou sugestione o empregado a manifestar-se sobre suas crenças ou convicções políticas ou filosóficas’.

A Promotoria alerta que esse tipo de conduta caracteriza ‘assédio ou coação moral, inadmissível nos locais de trabalho, e discriminação por orientação política’.

A recomendação é para que os empresários se abstenham de ‘divulgar e realizar eventos ou oferecer benefícios aos seus funcionários, de forma a sugestioná-los na escolha dos candidatos às eleições’ – sob pena de responsabilização.