Promotoria pede afastamento de major da PM do Pará por ‘você tá toda durinha, gostosinha’

Promotoria pede afastamento de major da PM do Pará por ‘você tá toda durinha, gostosinha’

Ibson Loureiro de Lima, do 16º Batalhão de Altamira, foi denunciado pelo Ministério Público Militar por inúmeros casos de assédio sexual contra quatro cabos

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

31 de janeiro de 2020 | 07h56

Reprodução da denúncia

“Selminha, você tá toda durinha, gostosinha”. “Morena, cor de jambo”. “A Valdenice tá precisando, né, Valdenice? Brigou com o marido”. Estas são algumas das frases que quatro cabos da Polícia Militar do Pará relatam ter ouvido de seu superior, Major Ibsen Loureiro de Lima, do 6º Batalhão, em Altamira. Com base em seus depoimentos, a Promotoria Militar ofereceu denúncia, por assédio sexual, e pediu afastamento de Lima do cargo.

Documento

A investigação se iniciou em 2018, após a cabo Selma Moreira denunciar o caso à Corregedoria Geral da PM do Pará. Ela era secretária do Comando do 16º Batalhão, e prestava assistência direta ao major.

“O primeiro episódio narrado pela denunciante aponta para uma situação em que a mesma, ao se dirigir até a máquina de xerox para retirar uma folha de papel, teria sido encurralada na parede pelo denunciado, realizando ali diversas investidas, sendo que no momento em que essa situação ocorria, chegou ao local a CB PM/PA Karina Calado da Silva, tendo a mesma presenciado a situação”, afirma a denúncia.

Segundo ela, em um outro episódio, o major teria dito: “Selminha, tá toda durinha, gostosinha”. Segundo ela, mesmo com a chegada de outro soldado, o major teria repetido a afirmação.

Em uma reunião entre Lima e outros policiais militares do expediente administrativo, ele teria chamado a atenção para gastos com material de escritório, e dito que a linha de telefone estava cortada, já que “Selma ligava muito para o disque-sexo”.

“Noutra situação narrada, a denunciante afirma que, em certa vez, quando estava em pé, ao lado de sua mesa, o denunciado teria chegado por trás da mesma e, tocando-lhe a cintura, sem sua permissão, fez a seguinte afirmação: “Oh Selminha, tá toda durinha, gostosinha””, diz a denúncia.

De acordo com a acusação, o major ainda ameaçava as vítimas. “Por fim, destaque-se, ainda, que em seu depoimento, a cabo Selma é enfática em afirmar que nunca teve uma relação de amizade com o major Ibsen e que, desta forma, nunca teria dado qualquer abertura para que o mesmo fizesse tais comentários ou tivesse tais atitudes com a denunciante, destacando ainda que, após as várias recusas por parte da mesma, fora ameaçada ser transferida para Porto de Moz/PA, como clara punição por não ceder aos assédios”.

Outros episódios teriam vitimado as cabos Aline Soares da Silva, Janecleia Bezerra Maia e Valdenice de Souza Bezerra. Outras duas militares são testemunhas e corroboram a versão de suas colegas. “Na segunda, narra que, certa vez, o tempo estaria chuvoso, momento em que o MAJ IBSEN, ao se dirigir à declarante, proferiu as seguintes textuais: “Tá frio, né Valdenice? Tá bom pra fazer sexo, né?””, consta na denúncia.

Afastamento

Além de denunciar o major pelo crime de assédio sexual, o Ministério Público Militar justifica que, ‘diante da prática de um ilícito penal, com vistas a garantia da ordem pública ou dos interesses da Administração Pública e da Polícia Militar, pode ser necessária a imposição de medidas constritivas cautelares em relação ao servidor processado’.

“Até mesmo pela natureza da atividade desenvolvida pelo Policial Militar pode ser prudente e oportuno para a Administração, na garantia da lisura da instrução, da segurança e preservação das testemunhas e da regularidade do tramite do processo que algumas medidas, quando necessárias, sejam impostas ao policial processado para que este não comprometa o regular andamento do rito processual”, afirma a Promotoria.

O promotor afirma que ‘deve-se também pontuar que, o afastamento deve ser seguido de outra determinação por parte deste Juízo, qual seja a de manter o denunciado em função que NÃO SEJA DE COMANDO,pois, pelos elementos colhidos até o presente momento, o mesmo tem se utilizado desta posição e da superioridade hierárquica para agir de forma que não condiz com suas funções e, muito menos com o pundonor militar’.

“Além dos atos destacados na exposição fática, há, nos autos, situações onde o mesmo age em total desconformidade com princípios básicos não somente ligados a postura de um superior hierárquico, mas até mesmo de um ser humano, como empatia e solidariedade”, anota.

Tudo o que sabemos sobre:

Assédio SexualPolícia Militar

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.