Promotoria investiga fraudes em contratos de UTIs em Bertioga e espreita ex-secretária da Saúde do Amazonas

Promotoria investiga fraudes em contratos de UTIs em Bertioga e espreita ex-secretária da Saúde do Amazonas

Simone Papaiz, que no dia 30 chegou a ser presa pela Polícia Federal em operação sobre desvios na compra de respiradores no Amazonas, teria sido a principal responsável pela assinatura do contrato que é alvo do inquérito do Ministério Público de São Paulo

Pepita Ortega e Fausto Macedo

17 de julho de 2020 | 11h53

Ventilador mecânico é utilizado em pacientes do coronavírus com problemas respiratórios. Foto: Benoit Tessier/Reuters

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil deflagraram na manhã desta sexta, 17, uma operação para apurar supostas  irregularidades em contrato de R$ 483 mil fechado entre a Prefeitura de Bertioga e a empresa Portela Mercantil e Prestação de Serviços para locação de equipamentos hospitalares para implantação de 10 leitos de UTI adulto na cidade.

Cerca de 12 promotores e 60 policiais civis dão cumprimento a 12 mandados de busca e apreensão nas cidades de Bertioga, Santo André, Mogi das Cruzes, Suzano e São Paulo.

Segundo a Promotoria, o contrato investigado foi assinado pela ex-secretária de Saúde do município, Simone Papaiz, que deixou o cargo para assumir a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas. Ela foi presa temporariamente no último dia 30 na Operação Sangria, ofensiva da Polícia Federal e do Ministério Público Federal que apura supostas fraudes e desvios na compra de respiradores. Após ser liberada, ela foi exonerada, no último dia 6.

O Ministério Público de São Paulo informou que as apurações identificaram vínculos entre as empresas envolvidas no processo administrativo e na execução do contrato investigado – ‘confusão societária, vínculos empregatícios e propriedade dos equipamentos hospitalares fornecidos’.

Segundo os promotores, as relações indicam ‘eventual conluio’ entre as companhias, ‘com a finalidade de fraudar a contratação pelo órgão público’.

O MP-SP também apontou suspeita de que as empresas investigadas obtêm, no mercado clandestino, equipamentos médicos velhos e descontinuados, ‘alguns até fora de uso’.

“Eles recebem adaptações totalmente à revelia dos respectivos fabricantes, de modo que parte destes equipamentos acaba se mostrando inservível. Outros equipamentos, embora aparentemente funcionais, podem estar funcionando de maneira inadequada, colocando em risco, inclusive, a vida das pessoas que venham a fazer uso deles”, registrou a Promotoria em nota.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE BERTIOGA

A reportagem busca contato com a prefeitura. O espaço está aberto para manifestações.

COM A A PALAVRA, A EMPRESA PORTELA MERCANTIL

A reportagem busca contato com a empresa. O espaço está aberto para manifestações.

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