Promotoria entra com ação contra prefeito do Rio por abuso de poder político com ‘Guardiões do Crivella’

Promotoria entra com ação contra prefeito do Rio por abuso de poder político com ‘Guardiões do Crivella’

Segundo o Ministério Público Eleitoral, prefeito do Rio 'fez uso dos serviços de servidores públicos do Poder Executivo municipal, durante o horário de expediente normal, para blindagem e promoção de sua imagem pessoal e de sua candidatura ao cargo de prefeito no pleito de 2020'

Pepita Ortega e Rayssa Motta

17 de dezembro de 2020 | 12h32

Atualizado às 13h02*

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella. Foto: Gabriela Biló/Estadão

O Ministério Público Eleitoral do Rio entrou com ação por abuso de poder político e representação por conduta vedada contra o prefeito Marcelo Crivella por causa do esquema montado para impedir a atividade jornalística na cobertura do atendimento de hospitais municipais, conhecido como ‘Guardiões do Crivella’. A Ação de Investigação Judicial Eleitoral atinge ainda a candidata a vice-prefeita, Andrea Louriçal Firmo de Araújo, derrotada nas eleições 2020 com Crivella, e o servidor municipal Marcos Paulo de Oliveira Luciano, assessor especial do prefeito.

O MPE pede à Justiça que reconheça a prática de abuso de poder político e a conduta vedada de ‘ceder servidor público ou usar de seus serviços, para comitês de campanha eleitoral de candidato, durante o horário de expediente normal’, declarando a inelegibilidade de Crivella e Andrea por oito anos, além da aplicação de multa.

Na ação, a Promotoria indica que constatou durante a campanha eleitoral deste ano a ‘reiteração de atos abusivos com viés político’ em benefício de Crivella e Andrea. Nessa linha, foram abertos dois procedimentos preparatórios eleitorais que apontaram ‘de forma inconteste que Marcelo Crivella fez uso dos serviços de servidores públicos do Poder Executivo municipal, durante o horário de expediente normal, para blindagem e promoção de sua imagem pessoal e de sua candidatura ao cargo de prefeito no pleito de 2020’.

A ação registra que servidores públicos municipais ‘foram designados para ficar de prontidão nos hospitais públicos da rede municipal do Rio, com o objetivo de impedir e dificultar a realização de matérias jornalísticas sobre a precária situação da saúde pública municipal’.

“Neste sentido, os servidores foram organizados em grupos de conversa do Whatsapp (‘Guardiões do Crivella’, ‘Assessoria Especial GBP’ e ‘Plantão’), ambientes virtuais nos quais recebiam suas designações, sendo definidas as ‘equipes’ que compareceriam em quais locais”, registrou em nota a Promotoria eleitoral.

Segundo os investigadores, os servidores recebiam ordens e prestavam contas a Marcos Paulo de Oliveira Luciano, o ‘ML’, assessor especial de Crivella e administrador dos grupos de Whatsapp.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DO RIO

A Prefeitura do Rio esclareceu a toda a imprensa, na ocasião da veiculação da notícia, que o grupo de WhatsApp denominado “Guardiões do Crivella” não se prestava a organizar servidores de forma alguma para coibir a imprensa, muito menos para atuação com viés eleitoral. Portanto, inexistente qualquer conduta vedada no caso.

A Prefeitura do Rio destacou que o uso desse grupo — que incluía secretários, empresários, líderes comunitários com mensagens de apoio à gestão, notícias municipais e opiniões diversas — foi, lamentavelmente, inserido em um contexto de outros grupos citados na reportagem e, para comprovação, interessados poderiam verificar as mensagens do grupo Guardiões do Crivella.

A ação proposta foi uma representação eleitoral e não uma denúncia, como erradamente assim denominada e, mais, não houve notificação judicial, a qual, acaso ocorrida, permitirá a prestação de informações para desfazer qualquer imbróglio levantado quanto ao tema.

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