Promotoria em SP quer acesso à planilha de Youssef para investigar monotrilho

Promotoria em SP quer acesso à planilha de Youssef para investigar monotrilho

Solicitação foi encaminhada à Justiça Federal do Paraná e tem como base planilha de doleiro que cita obra da Linha 15 - Prata

Redação

19 de janeiro de 2015 | 17h58

Por Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

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Obras da Linha 15 – Prata também estariam no raio de atuação do doleiro. Foto: Sérgio Castro/Estadão

O Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça Federal do Paraná o compartilhamento de provas envolvendo a suposta atuação do doleiro Alberto Youssef, um dos alvos principais da Operação Lava Jato, em obras da Linha 15 – Prata do Monotrilho de São Paulo. A Promotoria busca ter acesso a todos os documentos da Lava Jato que envolvam a obra em São Paulo, incluindo a planilha apreendida com Youssef pela força tarefa da Lava Jato contendo informações sobre cerca de 750 contratos de obras públicas que estariam na mira do doleiro.

A solicitação é subscrita pelo promotor Augusto Eduardo de Souza Rossini, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital e tem como base um inquérito civil aberto no final do ano passado que visa apurar “irregularidades consistentes em supostos desvios na licitação do trecho do Monotrilho entre as Estações Oratório e Vila Prudente, integrante da Linha 15-Prata do Metrô e descumprimento do prazo de entrega do referido trecho do Monotrilho pelos representados”, assinala o promotor Rossini no pedido.

O inquérito foi aberto com base na planilha apreendida pela PF na Lava Jato divulgada pela imprensa e que, entre as 750 obras, consta na página 14 a “Obra Vila Prudente”, tendo como “cliente” a Construtora OAS, como “contato” o engenheiro Vagner Mendonça e como “cliente final” o Metrô. Aparece na planilha ainda uma proposta enviada em “7/4/2011”, no valor “RS 7.901.280,00”.

Foto: Geraldo Magela/Estadão - 30.01.2006

Foto: Geraldo Magela/Estadão – 30.01.2006

A promotoria vê suspeita de propina na quantia que aparece na planilha, que tem servido para os investigadores da Lava Jato chegarem a outras empresas, setores da administração e pessoas que podem ter pago propina na lavanderia que alimentou o caixa 2 do PT, PMDB, PP, PSDB e PSB.

O inquérito do Ministério Público de São Paulo tem como alvos, além da Companhia do Metropolitano de São Paulo, o doleiro Alberto Youssef, a Construtora OAS, também ré na Lava Jato, a Bombardier – alvo de investigações do cartel de trens em São Paulo -, o consórcio Queiroz Galvão e o engenheiro Vagner Mendonça.

Estrutura criminosa. O valor global dos contratos que aparecem na planilha e, segundo as investigações, teriam sido intermediados por Youssef, chega a R$ 11 bilhões. “Os valores abrangem uma ampla gama de grandes empreiteiras e períodos, onde se infere que o esquema criminoso vai muito além das obras contratadas pela Petrobrás”, afirma a Polícia Federal no relatório da Operação Juízo Final – sétima fase da Lava Jato -, quando pediu a prisão do núcleo empresarial do esquema de corrupção e propina na estatal petrolífera, no dia 14.

“O esquema é muito maior do que a mera Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, mas abrange sim uma estrutura criminosa que assola o País de Norte a Sul, até os dias atuais”, afirma a Lava Jato.

A reportagem não conseguiu localizar o engenheiro Vagner Mendonça.

COM A PALAVRA, O METRÔ:

Por meio de nota, a Companhia do Metropolitano de São Paulo informou que a obra da Linha 15- Prata foi licitada de maneira regular e lamentou “a tentativa de extrair conclusões de documento cuja autenticidade e significado dependem de provas que já estão sendo produzidas com muita correção pelo Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal.” Abaixo, a íntegra da nota:

“O? Metrô de São Paulo informa que o? projeto da Linha 15, bem como todas as obras? executadas pela Companhia, foi licitado com base na Lei 8.666, com ?ampla concorrência entre os consórcios participantes. O certame foi vencido pelo Consórcio Expresso Monotrilho Leste, que ofereceu o melhor projeto e o menor preço.

O alegado autor da planilha mencionada pela reportagem fez acordo de delação premiada no âmbito da investigação da operação Lava-Jato. É lamentável, na melhor das hipóteses,  a tentativa de extrair conclusões de documento cuja autenticidade e significado dependem de provas que já estão sendo produzidas com muita correção pelo Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal.”

COM A PALAVRA, A BOMBARDIER: 

“A Bombardier Transportation nunca manteve qualquer relacionamento com o Sr. Alberto Youssef e tampouco realizou pagamentos a quaisquer empresas controladas por ele. A Bombardier opera segundo os mais altos padrões de ética corporativa em todos os países onde está presente.”

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