Promotoria Eleitoral chama Aníbal e Goldman para depor em ação contra Doria e Alckmin

Promotoria Eleitoral chama Aníbal e Goldman para depor em ação contra Doria e Alckmin

Ministério Público investiga suposto abuso de poder político e decidiu arrolar senador, ex-governador e, ainda, um vereador

Mateus Coutinho e Pedro Venceslau

28 de setembro de 2016 | 04h20

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O ex-governador Alberto Goldman (esq), o senador José Aníbal (centro) e o candidato à Prefeitura de São Paulo João Doria Jr (esq). Foto: Estadão

No mesmo dia em que mudou seu discurso e declarou pela primeira vez apoio a João Doria Jr (PSDB) na corrida à Prefeitura de São Paulo, o senador tucano José Aníbal foi arrolado pela Promotoria Eleitoral como testemunha de acusação contra o candidato em Ação de Investigação Eleitoral.

A ação foi proposta nesta segunda-feira, 26, contra Doria e o governador Geraldo Alckmin por suspeita de abuso de poder político nas eleições.

Além de Zé Aníbal, o Ministério Público Eleitoral chamou para depor como testemunhas de acusação o ex-governador Alberto Goldman e o vereador Alberto Quintas, do PSD.
Mesmo que a ação seja aceita, nenhuma das testemunhas arroladas pela Promotoria é obrigada a depor. Aníbal, Goldman e Quintas podem ficar em silêncio diante do juiz.

Com isso, os correligionários de Doria, que criticaram a indicação do tucano para representar a legenda nas eleições deste ano em São Paulo, poderão depor diante da Justiça Eleitoral contra o empresário que aparece na frente nas pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura.

Na noite desta segunda-feira, 26, Aníbal mudou o discurso de crítica e declarou, pela primeira vez, seu apoio a Doria. A adesão foi declarada em uma plenária de campanha do candidato a vereador Edson Aparecido no diretório estadual do PSDB.

As testemunhas de acusação são escolhidas pelo Ministério Público para confirmar a tese da investigação que, neste caso, aponta abuso de poder político da campanha de Doria e de Alckmin, que nomeou um secretário do PP após a sigla declarar apoio ao candidato tucano e também fez uma visita à comunidade de Paraisópolis com Doria ainda durante as prévias do PSDB.

O Ministério Público Eleitoral aponta ainda que a campanha de Doria estaria utilizando indevidamente o slogan “Acelera SP”, nome de um programa do governo estadual e que, segundo o MP, não deve ser usado em campanhas políticas.

A candidatura de Doria, afilhado político de Alckmin, provocou um racha no PSDB paulista e os próprios Goldman e Aníbal chegaram a denunciar o empresário ao Ministério Público, acusando Dória de comprar votos nas prévias tucanas, oferecer comida e até promover churrasco para militantes do partido na capital paulista.

Da denúncia dos dois tucanos, o Ministério Público eleitoral ainda está investigando as suspeitas de abuso de poder econômico e não apresentou ação sobre o caso.

Nas prévias tucanas, o próprio rival de Doria, Andrea Matarazzo, que também pretendia lançar sua candidatura à Prefeitura, fez críticas ao processo eleitoral interno e ao suposto apoio de Alckmin ao empresário e acabou deixando a sigla. Atualmente ele está no PSD e se lançou candidato a vice-prefeito na chapa de Marta Suplicy, do PMDB.

O senador José Aníbal não quis comentar sobre o fato de ter sido chamado como testemunha.

COM A PALAVRA, ALBERTO GOLDMAN:

“A nossa representação ao Ministério Público foi feira no dia 29 de março. Chamaram dezenas de pessoas para prestar depoimentos. É um material imenso e o promotor José Bonilha ainda não representou. Ele disse que dividiu em duas partes : abuso do poder econômico e político. Não declaro publicamente meu voto por respeito à decisão partidária. Mas não voto no Doria por uma questão de consciência”

COM A PALAVRA, A CAMPANHA DE JOÃO DORIA:

“Ainda não fomos notificados. Pelo que se extrai das notícias, as razões do Ilustre promotor reveladas a poucos dias da eleição, são frágeis e carecem dos mínimos elementos probatórios. Parte-se de uma premissa equivocada e sem respaldo legal que pretende impedir que o candidato João Doria receba apoio de partidos e de lideranças políticas. Certamente será arquivada, como todas as demais anteriormente divulgadas aos jornais e posteriormente arquivada pela Justiça Eleitoral”.

COM A PALAVRA, O GOVERNO DE SÃO PAULO:

“O Governo do Estado tomou conhecimento pela imprensa da ação do MPE (Ministério Público Eleitoral) menos de uma semana depois do pedido de esclarecimento que foi encaminhado pelo Procurador Geral de Justiça com o mesmo propósito. Os esclarecimentos que o governo estadual encaminhará serão suficientes para demonstrar a improcedência da referida ação judicial.”

COM A PALAVRA, O DIRETÓRIO ESTADUAL DO PSDB-SP:

“O PSDB de São Paulo tem convicção da idoneidade das ações do governo de São Paulo e do candidato João Doria. A narrativa construída pelo Ministério Público no caso demonstra a total falta de ligação entre fatos e versões e constitui apenas uma tentativa de interferir no pleito municipal e atingir uma das figuras mais sérias e bem conceituadas da política nacional, o governador Geraldo Alckmin.
Dep. Pedro Tobias, presidente do Diretório Estadual do PSDB-SP”

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