Promotoria do Rio investiga superfaturamento na Linha 4 do Metrô, alvo da Lava Jato

Promotoria do Rio investiga superfaturamento na Linha 4 do Metrô, alvo da Lava Jato

Promotores abriram 4 inquéritos sobre supostas irregularidades em trecho ainda não concluído;nesta semana, força-tarefa cumpriu mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e condução coercitiva em investigações sobre a obra

Fábio Grellet e Luiz Vassallo

16 Março 2017 | 20h13

Linha 4 do Metrô do Rio. Foto: Clarice Castro/Governo do Rio

Linha 4 do Metrô do Rio. Foto: Clarice Castro/Governo do Rio

A 4.ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania do Ministério Público do Estado do Rio instaurou na quarta-feira, 15, quatro novos inquéritos civis referentes à Linha 4 do Metrô, por desmembramento do inquérito original. A ação se dá na mesma semana em que a Operação Tolypeutes, braço da Lava Jato, foi deflagrada contra um esquema de propinas referente às obras de construção da mesma linha do Metrô do Rio, cumprindo dois mandados de prisão.

A Promotoria informou que um dos novos inquéritos vai apurar possíveis irregularidades na obra no período posterior a outubro de 2015. Há suspeitas de sobrepreço e/ou superfaturamento do trecho que falta ser finalizado. Outro procedimento vai investigar irregularidades na ligação entre as linha 1 e 4 do Metrô.

O Ministério Público do Rio destacou que vai analisar as subcontratações do Consórcio Linha 4 Sul (CL4S), responsável pela implantação do ‘trecho sul’, e do Consórcio Construtor Rio-Barra (CCRB), responsável pela execução do ‘trecho oeste’, contratado pela Concessionária Rio-Barra S.A., em 14 de julho de 2010.

A verificação será sobre eventual forma de burlar a licitação, entre outras irregularidades.

O último inquérito vai investigar irregularidades em torno da subconcessão da operação da Linha 4 à empresa Metrô Rio, concessionária da Linha 1, segundo a Promotoria.

Serão investigados nos inquéritos a Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio (Riotrilhos), a CBPO Engenharia, a Concessionária Rio Barra S.A., Consórcio Linha 4 Sul (CL4S) e Consórcio Construtor Rio-Barra (CCRB) e Concessionária METRÔ RIO.

Lava Jato. Na quarta-feira, 15, o subsecretário de Turismo do Estado Luiz Carlos Velloso e o diretor de Engenharia da Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio, a Riotrilhos, Heitor Lopes de Sousa Junior, foram presos após a deflagração da Operação Tolypeutes, braço da Lava Jato que investiga irregularidades nas obras da Linha 4 do Metrô.

A nova etapa foi aberta por ordem do juiz federal Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal do Rio e com base no acordo de leniência da empreiteira Carioca Engenharia. A investigação apura R$ 5,4 milhões em propinas e 31 transferências para empresas de Heitor Lopes.

A reportagem entrou em contato com a Odebrecht, integrante dos Consórcios Linha 4 – Sul e Construtor Barra – e não obteve resposta.

O Estado também tentou contato com  a Metrô Rio e a CBPO Engenharia, que também não retornaram.

COM A PALAVRA, A QUEIROZ GALVÃO

“A Construtora Queiroz Galvão não comenta investigações em andamento e prestará todas as informações solicitadas pelas autoridades.”

COM A PALAVRA, A RIOTRILHOS:

“A RioTrilhos desconhece o teor das acusações e se coloca à disposição para eventuais esclarecimentos.”

COM A PALAVRA, A CONCESSIONÁRIA RIO BARRA

“A Concessionária Rio Barra, responsável pelas obras da Linha 4 do Metrô, não irá se manifestar.”