Promotoria diz que já ouviu mais de 200 pessoas no caso Marielle Franco

Promotoria diz que já ouviu mais de 200 pessoas no caso Marielle Franco

Ministério Público diz que tem usado diversas medidas cautelares autorizadas pela Justiça, buscas e apreensões, perícias técnicas e acareações na tentativa de esclarecer o crime

Caio Sartori / RIO

13 de março de 2020 | 20h47

A um dia do aniversário de dois anos da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o Ministério Público do Rio, a quem cabem as investigações do crime, afirmou que mais de 200 pessoas foram ouvidas desde então.

Em comunicado enviado à imprensa, os investigadores do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (GAECO) dizem que buscam os mandantes do crime com responsabilidade, seriedade e “checagens rigorosas de todas as informações obtidas que devem ser provadas tecnicamente.”

Investigadores do GAECO e o procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, reuniram-se nesta sexta-feira com a família da vereadora e a viúva do motorista. Os parentes dela, inclusive, darão uma entrevista coletiva amanhã de manhã para falar sobre os dois anos sem a vereadora, morta no dia 14 de março de 2018 no Estácio, região central do Rio.

Pintura de Marielle Franco é exposta no bairro do Estácio, região central do Rio, local do assassinato. Foto: Wilton Júnior / Estadão

Na nota enviada nesta tarde, a Promotoria aponta que, além das oitivas das mais de 200 testemunhas, tem usado diversas medidas cautelares autorizadas pela Justiça, buscas e apreensões, perícias técnicas e acareações na tentativa de descobrir quem mandou matar Marielle e Anderson.

Essa é a principal pergunta a ser respondida, já que os dois supostos executores do crime, Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, foram presos há 1 ano. Eles devem ir a júri popular ainda em 2020.

Um ponto interessante da nota divulgada pelo MP mostra que há sete investigações paralelas à principal sobre o crime. Entre elas estão as duas fases da operação Os Intocáveis, que tem como foco o grupo miliciano Escritório do Crime. O chefe do grupo seria Adriano Magalhães da Nóbrega, o Capitão Adriano, morto no dia 9 de fevereiro deste ano após passar mais de um ano foragido da Justiça do Rio.

Adriano era ligado à família Bolsonaro e teve a mãe e a ex-mulher empregadas no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Segundo o MP, ele se beneficiava do suposto esquema de “rachadinha” no gabinete do parlamentar.

“O MPRJ esclarece que mantém comunicação com os familiares das vítimas sobre os avanços e desdobramentos do caso e está aberto para prestar as informações necessárias, respeitado o sigilo das investigações”, continua o comunicado. “A instituição tem consciência da responsabilidade que o caso exige e compromete-se a atuar, de forma incansável, na busca das respostas concretas que a sociedade tanto anseia.”

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