Promotoria denuncia candidato a prefeito do interior de São Paulo que ligou vacina do coronavírus à homossexualidade

Promotoria denuncia candidato a prefeito do interior de São Paulo que ligou vacina do coronavírus à homossexualidade

A Promotoria imputa ao o engenheiro Marcelo Frazão de Almeida discriminação com base na orientação e identidade de gênero, que foi equiparada ao crime de racismo por decisão do Supremo Tribunal Federal

Redação

03 de novembro de 2020 | 20h11

Foto: Gabriela Biló/Estadão

O Ministério Público de São Paulo denunciou o engenheiro Marcelo Frazão de Almeida em razão de áudio que circula no WhatsApp e nas redes sociais com informações falsas de que a vacina contra o coronavírus tem como intenção reduzir a população mundial, provocar câncer, alterações genéticas, problemas de fertilidade e ‘homossexualismo’. A Promotoria imputa a Almeida – candidato à prefeitura de São Simião, no interior do Estado – discriminação com base na orientação e identidade de gênero, que foi equiparada ao crime de racismo por decisão do Supremo Tribunal Federal.

Para a Promotoria, as mensagens ‘são homofóbicas e transfóbicas’ e revelam ‘aversão odiosa à orientação sexual e à identidade de gênero de número indeterminado de pessoas, ao compará-las a doenças e ao sugerir sua ligação com questões genéticas’.

“Ao alegar que a vacina poderia causar a homossexualidade e a transexualidade, e que por tal motivo deveria ser evitada, o denunciado agiu de forma claramente preconceituosa. O comportamento sexual, a orientação sexual e a identidade de gênero não são doenças e não podem ser provocadas por medicamentos ou cargas virais”, anotou o promotor William Daniel Inácio na denúncia.

As informações foram divulgadas pelo MP-SP.

Na acusação, Inácio indica que Marcelo Frazão de Almeida, morador de São Simão, é dono de um canal no Youtube com mais de 170 mil inscritos. “Dentre os inúmeros vídeos por ele produzidos, fica clara a sua insatisfação com as políticas públicas envolvendo o combate à pandemia causada pelo coronavírus no mundo e no Brasil”, registra o promotor.

Segundo a denúncia, o engenheiro divulgou pelo WhatsApp áudio dizendo que vacina em desenvolvimento pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac (denominada de Coronavac) ‘altera o código genético’ e que levaria a ‘síndromes perigosas (…), inclusive no sentido de fertilidade, de homossexualismo (sic)’.

Almeida afirma ainda que, com a vacina, “menino pode deixar de ser menino, vai virar menina; a menina deixa de ser menina e vira menino (…)”.

COM A PALAVRA, MARCELO FRAZÃO DE ALMEIDA

A reportagem busca contato com o engenheiro. O espaço está aberto para manifestações.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.