Promotoria de São Paulo questiona gestões Doria e Covas sobre motivos para não adotarem lockdown total

Promotoria de São Paulo questiona gestões Doria e Covas sobre motivos para não adotarem lockdown total

Ofícios foram enviados aos secretários de Saúde estadual e municipal e ao prefeito; promotora considera índice de isolamento insuficiente diminuir taxas de contaminação e ocupação de hospitais

Rayssa Motta

18 de março de 2021 | 17h34

A nova escalada da pandemia de covid-19 em São Paulo levou o Ministério Público do Estado a questionar o governo estadual e a prefeitura da capital sobre os critérios estabelecidos para não adotarem lockdown total.

Documento

Em ofícios enviados ao secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, ao secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, e ao prefeito Bruno Covas (PSDB), a promotora Dora Martin Strilicherk pede esclarecimentos sobre as iniciativas implementadas para monitorar o cumprimento das restrições impostas no plano de combate ao novo coronavírus.

Movimentação nas rusas da capital paulista. Foto: Felipe Rau/Estadão/maio de 2020

A promotora demonstra preocupação com o contágio no transporte público e também questiona a gestão João Doria (PSDB) sobre a articulação entra as Secretarias de Saúde e Segurança Pública para apoio da Polícia Militar na fiscalização das medidas de restrição às atividades não essenciais e de lazer.

Nos documentos, Dora diz que o índice de isolamento ainda não é suficiente para a redução das taxas de contaminação e ocupação dos leitos de UTI e de enfermaria. Hospitais do Estado já entraram em colapso e a capital registrou nesta quinta-feira, 18, a primeira morte na fila por vaga de internação. Quando considerado todo o Estado de São Paulo, foram 90 óbitos este mês, segundo levantamento feito pelo Estadão.

Mais cedo, Covas anunciou que a cidade de São Paulo vai antecipar feriados para reduzir a circulação de pessoas e alterar os horários do rodízio de veículos tentativa de diminuir a pressão sobre o transporte público. Já Doria informou, na segunda, que vai abrir um novo hospital de campanha dedicado aos pacientes da covid-19, com 50 leitos de UTI e outros 130 de enfermaria.

COM A PALAVRA, A SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO

A Secretaria de Estado da Saúde prestará os esclarecimentos dentro do prazo. Conforme esclarecido hoje em coletiva, as medidas da fase emergencial foram recomendadas pelo Centro de Contingência, sempre considerando a efetividade e firmeza das medidas para o cenário. A vigência é até o dia 30 e visa frear o aumento de casos, internações e mortes.

Também na coletiva foi destaca a intensificação das fiscalizações para cumprimento das regras sanitárias. De todo modo, é importante que a população respeite o Plano São Paulo, use máscaras, respeite o distanciamento social e fique em casa.  

A demanda de transferências para casos de COVID-19 registradas na Cross (Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde) cresceu 117% em comparação ao pico da pandemia: atualmente, são 1,5 mil pedidos por dia, contra 690 em junho de 2020, quando foi o auge da primeira onda. Já houve mais de 180,3 mil regulações desde março do ano passado.

A rede de saúde está  sobrecarregada. O Estado registra hoje (17) o maior número de pacientes internados pela COVID-19 em toda a pandemia: são 25.880 pessoas, sendo 11.109 em UTIs e 14.771 em enfermaria.

Para ampliar a assistência, o Governo de SP anunciou a abertura de mais de 1 mil leitos e 12 hospitais de campanha. Até abril, o estado terá mais de 9,2 mil leitos de UTI, contra 3,5 mil antes da pandemia.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE SÃO PAULO

A Prefeitura de São Paulo sempre que demandada pelo Ministério Público, presta os esclarecimentos necessários.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.