Promotoria de São Paulo pede provas contra doleiros da Lava Jato a Moro

Promotoria de São Paulo pede provas contra doleiros da Lava Jato a Moro

Ministério Público de São Paulo quer acesso a material sobre operadores do mercado negro, alvo da etapa inicial da investigação que acabou desencadeando a maior missão contra a corrupção do País

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

01 Agosto 2016 | 10h00

MP-SP. Foto: Reprodução

MP-SP. Foto: Reprodução

O Ministério Público de São Paulo solicitou ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato na 1ª instância, compartilhamento de provas sobre doleiros, operadores do mercado paralelo de câmbio, investigados no início da apuração. A Promotoria quer acesso a documentos de uma ação penal, três quebras de sigilo de dados e telefônicos e uma busca e apreensão.

“Na oportunidade em que cumprimento Vossa Excelência, com intuito de instruir procedimento em epígrafe, encaminho cópia da portaria das notícias jornalísticas de fls. 1892/1896 dos autos solicito os bons préstimos no sentido de nos conceder autorização para compartilhamento das provas existentes nos seguintes processos: n° 5001443-10.2014.4.04.7000, n° 5032550-72.2014.4.04.7000, n° 5017712-27.2014.4.04.7000, n° 5014430-44.2015.4.04.7000 n° 5042416-07.2014.4.04.7000, com remessa das chaves de acesso”, solicitou o promotor de Justiça Otávio Ferreira Garcia, da Promotoria do Patrimônio Público e Social da Capital.

O primeiro pedido do Ministério Público paulista foi feito em março deste ano. O segundo foi reiterado em 25 de julho.

“Na oportunidade em que cumprimento Vossa Excelência, com intuito de instruir procedimento em epígrafe, tem presente finalidade de reiterar, pela segunda vez, os termos do Ofício n.° 2025, datado de 31 de março de 2016”, anotou o promotor.

A primeira parte da investigação da Lava Jato mirou em quatro grupos liderados por doleiros que atuavam no País e no exterior. A partir desta apuração, o Ministério Público Federal recolheu provas do esquema de corrupção e propinas instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014.

Grandes empreiteiras organizadas em cartel pagavam propina para altos executivos da estatal e agentes públicos. O valor da propina variava de 1% a 5% do montante total de contratos bilionários superfaturados. Segundo a força-tarefa da Lava Jato, o suborno era distribuído por meio de operadores financeiros do esquema, incluindo doleiros investigados na primeira etapa de investigação da operação.

A ação penal a que quer acesso o Ministério Público de São Paulo tem como alvo o doleiro Raul Henrique Srour, seus filhos Rodrigo e Rafael Srour, Maria Lucia Ramires Cardena, pessoa de confiança de Raul, segundo a Procuradoria, e Valmir José de Franca, funcionário de Raul. As acusações se referem a crime contra o sistema financeiro e à lavagem de dinheiro.

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