Promotoria de Salvador investiga racismo por aplicativo de mensagens envolvendo estudantes de escola particular

Promotoria de Salvador investiga racismo por aplicativo de mensagens envolvendo estudantes de escola particular

Ministério Público da Bahia abriu inquérito após trechos de diálogos vazarem; 'Não fale assim dos pretos que tenho um escravo dessa cor', diz uma das conversas

Shagaly Ferreira, especial para O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2021 | 16h29

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) abriu um inquérito para investigar conteúdos de cunho racista supostamente compartilhados em um aplicativo de mensagens por estudantes de um colégio particular de Salvador. O procedimento foi instaurado nesta quarta-feira, 10, após trechos das conversas virem a público. Os registros com ofensas raciais teriam sido trocados em um grupo formado por alunos do ensino médio do Colégio Sartre, no bairro do Itaigara, e de outras instituições particulares.

Nas conversas, alguns trechos se destacam pelas manifestações ofensivas, como “não fale assim dos pretos que tenho um escravo dessa cor!” e “cala a boca macaco”. Em uma imagem na qual aparece o desenho de um homem armado com faca está escrita a frase “se há pretos por perto… fique esperto”.

MP abriu inquérito para investigar mensagens. Foto: Reprodução

Em nota divulgada em seu perfil no Instagram, o Colégio Sartre afirmou repudiar veementemente qualquer ação ou comportamento que desrespeite a dignidade das pessoas, “incluindo atitudes discriminatórias e preconceituosas”. A instituição de ensino instaurou uma comissão para apuração do caso e afastou os alunos envolvidos, enquanto ocorrem os trabalhos de apuração. O Comitê de Ética da escola também está avaliando o episódio.

“Embora tudo tenha ocorrido fora do ambiente escolar, sem qualquer vínculo pedagógico, a escola não poderia se furtar de cumprir sua função educativa, verificando a participação de seus alunos no fato”, ressalta a escola.

O Ministério Público informou, em nota, que, caso a indicação da autoria seja atribuída aos adolescentes investigados, os fatos devem ser registrados na Delegacia do Adolescente Infrator (DAI), na capital baiana, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O procedimento é necessário para que seja iniciada a apuração da responsabilidade de ato infracional.

COM A PALAVRA, O COLÉGIO SARTE

“O Sartre – Escola SEB repudia veementemente qualquer ação ou comportamento que desrespeite a dignidade das pessoas, incluindo atitudes discriminatórias e preconceituosas.

A instituição tomou conhecimento de que circularam nas redes sociais registros de uma conversa reprovável, de cunho racista, entre jovens de diversas escolas, envolvidos na organização de uma festa particular e independente. Embora tudo tenha ocorrido fora do ambiente escolar, sem qualquer vínculo pedagógico, a escola não poderia se furtar de cumprir sua função educativa, verificando a participação de seus alunos no fato. Uma comissão para apuração foi instaurada e os alunos envolvidos foram afastados enquanto ocorrem as apurações. O Comitê de Ética está avaliando a situação a fim de encaminhar as devidas providências.

Reforçamos nosso compromisso com uma educação humanística, inclusiva, pautada na diversidade e reconhecida há mais de 50 anos como referência em nossa cidade.”

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