Promotoria criminal propõe transação penal e multa de 100 salários-mínimos a Gabigol para fundo da criança e adolescente

Promotoria criminal propõe transação penal e multa de 100 salários-mínimos a Gabigol para fundo da criança e adolescente

Atacante do Flamengo foi flagrado em um cassino na Vila Olímpia, bairro nobre de São Paulo, no último domingo, 14, em plena fase crítica da pandemia

Paulo Roberto Netto

18 de março de 2021 | 22h27

Gabigol. FOTO: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

O Ministério Público de São Paulo propôs nesta quinta, 18, uma transação penal ao atacante do Flamengo Gabriel Barbosa, o Gabigol. O jogador foi flagrado em um cassino na Vila Olímpia, bairro nobre de São Paulo, no último domingo, 14, em plena fase crítica da pandemia. No caso específico do jogador, a Promotoria fixou a multa em 100 salários-mínimos, que deverão ser destinados ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente.

A transação penal é um tipo de proposta feito pelo Ministério Público em casos de crime de menor potencial ofensivo, em que a pena mínima em caso de condenação seja igual ou menor a um ano. A proposta suspende o processo em troca do pagamento de uma multa. Além de Gabigol, a Promotoria ofereceu o acordo a outras 20 pessoas.

Na manifestação enviada à Justiça, a promotora Regiane Vinche Zampar Guimarães Pereira também requisita a abertura de um inquérito para apurar crimes de lavagem de dinheiro no cassino onde Gabigol foi flagrado.

“Requeiro oficie-se à Delegacia de Polícia requisitando a instauração de inquérito policial para apuração de delitos de lavagem de dinheiro e quadrilha, eis que a estrutura do local, consistente em diversas mesas de carteado e roletas, a quantidade de máquinas de cartão de crédito e a pouca quantidade de dinheiro (cerca de dois mil reais) apreendidos, dentro outros elementos, evidenciam organização estável e que o numerário auferido no jogo estava sendo contabilizado de forma dissimulada como proveniente do restaurante existente no local”, fixou a promotora.

As primeiras diligências sugeridas pelo Ministério Público são a identificação do dono do imóvel e os responsáveis pelo cassino, assim como depoimento com os funcionários do estabelecimento. A Promotoria sugeriu ainda a quebra do sigilo bancário e a perícia contábil nas contas da empresa, assim como a elucidação da movimentação financeira pelos frequentadores do espaço.

Polícia fecha cassino clandestino com Gabigol, MC Gui e mais de 200 pessoas em SP. Foto: Governo do Estado de São Paulo

“Tais diligências poderão comprovar a autoria da contravenção do jogo de azar por parte dos frequentadores, posto que os elementos reunidos nos presentes autos ainda não são suficientes para a formação da ‘opinio delicti’ relacionada à referida contravenção penal”, apontou. “Desde modo, o presente procedimento deverá prosseguir somente com relação à infração de medida sanitária”.

No momento, um inquérito já aberto investiga crimes de corrupção de menores e contra a saúde pública envolvendo o cassino, assim como infração penal de jogos de azar. Além de funcionar de maneira ilegal, o cassino desrespeitou o decreto estadual que proíbe festas e aglomerações durante a pandemia de covid-19. O Estado de São Paulo regrediu à fase vermelha da quarentena, a mais restritiva, desde o último dia 6 de março para tentar frear o avanço da doença.

A operação contou com uma força-tarefa com agentes da Vigilância Sanitária, Procon-SP, Corpo de Bombeiros e apoio das Polícias Militar, Civil e da Guarda Civil Metropolitana. Durante o dia, o local funcionava como funilaria e estacionamento.

O Governo do Estado criou um comitê de blitz em conjunto com a Prefeitura de São Paulo para reforçar o trabalho de fiscalização e o cumprimento das restrições previstas na capital. O objetivo é coibir festas clandestinas e aglomerações em estabelecimentos comerciais irregulares.

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