Promotoria arquiva investigação sobre deputado tucano do Rio envolvendo Coaf

Luiz Paulo Corrêa da Rocha foi um dos nove parlamentares da Alerj que tiveram sigilo quebrado pela Justiça do Rio

Caio Sartori/RIO

13 de julho de 2019 | 21h00

RIO – O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) arquivou a investigação sobre o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB) no âmbito do caso Coaf, o mesmo que recai sobre o senador e ex-deputado Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). O tucano foi um dos nove parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) que tiveram sigilo quebrado pela Justiça a fim de apurar as movimentações financeiras atípicas detectadas por relatórios do órgão federal.

O deputado afirmou ao Estado que já esperava que o caso fosse arquivado e que recebeu a notícia “com satisfação”, apesar de lamentar o desgaste causado pela história. Disse ainda que entregou ao Ministério Público, em dezembro de 2018, diversas informações financeiras e bancárias para ajudar na investigação. “No meu gabinete não tem ‘rachadinha’. E nunca tive patrimônio incompatível com a minha renda.”

As investigações iniciadas com base nos relatórios financeiros correm sob segredo de Justiça. Luiz Paulo não foi informado oficialmente sobre o arquivamento, noticiado hoje pelo colunista Lauro Jardim, do jornal ‘O Globo’, e confirmado pela assessoria do Ministério Público estadual.

Os holofotes dos trabalhos do MP-RJ estão sobre a investigação que apura a suposta prática dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete de Flávio Bolsonaro. A Justiça fluminense autorizou em abril a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 86 pessoas e nove empresas ligadas ao senador. O período abarcado é de 2007 a 2018.

Os promotores acusam o ex-assessor Fabricio Queiroz de operar o esquema denunciado — os relatórios do Coaf mostraram que ele movimentou, no período de 1 ano, R$ 1,2 milhão, valor considerado atípico para seus rendimentos. A história foi revelada pelo Estado em dezembro do ano passado.

Na próxima terça-feira, 16, o plenário do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) julgará um habeas corpus apresentado pela defesa do filho do presidente Jair Bolsonaro, que considera ilegal a sua quebra de sigilo.

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