Promotoria acusa ex-diretor da Dersa por propina de R$ 1 mi para mudar traçado do Rodoanel Norte

Promotoria acusa ex-diretor da Dersa por propina de R$ 1 mi para mudar traçado do Rodoanel Norte

Promotor Marcelo Mendroni afirma que valores foram repassados a Pedro da Silva por meio de contrato simulado, em duas parcelas de R$ 500 mil

Fausto Macedo e Julia Affonso

10 Outubro 2018 | 11h03

O promotor Marcelo Batlouni Mendroni denunciou nesta terça-feira, 9, o ex-diretor da Dersa Pedro da Silva por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação do Ministério Público de São Paulo, Pedro da Silva pediu propina de R$ 1 milhão para alterar o traçado do Rodoanel Norte.

A denúncia alcança ainda um empresário. Ele é acusado por falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Documento

A investigação foi aberta a partir de depoimentos e documentos fornecidos pela Camargo Corrêa. A empreiteira fechou um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público do Estado de São Paulo, pelo Grupo Especial de Delitos Econômicos (GEDEC).

A acusação aponta que, em 2013, a Pedreira de Guarulhos pertencente à empresa Intercement Brasil S.A., do grupo Camargo Corrêa,  recebeu uma notificação de desapropriação, que desagradava a empresa, em razão do traçado do Rodoanel Norte. A obra do rodoanel já havia sido contratada.

“Pedro da Silva referiu ser possível alterar o traçado, desde que a CCCC pagasse uma propina – que chamou de “contribuição” de R$ 1 milhão”, afirma o promotor.

A denúncia relata que dois executivos da Camargo Corrêa ‘viram nesta situação uma possibilidade de ao mesmo tempo estreitar as relações com o Governo Estadual de São Paulo e viabilizar o projeto de construção do túnel submerso Santos-Guarujá, cujo projeto veio a ocorrer finalmente em 3 de setembro de 2013 – mas acabou sendo suspenso’.

De acordo com a Promotoria, Pedro da Silva disse a um executivo da empreiteira que ‘este pagamento de propina poderia ser realizado através de um contrato “frio” (falso) firmado com a empresa Pluri Engenharia Projetos S/S Ltda’.

“Tratava-se de uma simulação no sentido de que o Dersa “havia compreendido a situação da CCCC, mas havia necessidade de elaboração de um estudo ambiental para dar subsídios à alteração pretendida”, sendo que a empresa Pluri Engenharia Projetos S/S Ltda tinha habilitação técnica do Dersa para o estudo”, relata Marcelo Mendroni.

Segundo a acusação, foi elaborado um ‘contrato simulado’ para o pagamento. O acordo, registra a denúncia, ‘foi firmado em 15 de março de 2013 e os pagamentos foram realizados em duas parcelas de R$ 500 mil, que  deveriam ser pagas em julho/2013’.

“Após os pagamentos, o Dersa anunciou que alteraria o traçado do Rodoanel”, afirma o promotor.

A reportagem está tentando contato com os citados. O espaço está aberto para manifestação.

Ex-diretor é réu em ação da Pedra no Caminho

Pedro da Silva foi preso em junho deste ano no âmbito da Operação Pedra no Caminho – que investiga irregularidades envolvendo as licitações dos lotes 1, 2 e 3 do trecho norte do Rodoanel. O ex-diretor foi solto por ordem do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, em agosto.

Em outubro, a juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Criminal Federal, abriu ação penal contra Pedro da Silva, contra o ex-secretário de Logística e Transportes do governo Alckmin e ex-presidente da DersaLaurence Casagrande Lourenço, e outros 12 acusados de fraudes em licitações e associação criminosa na Pedra no Caminho.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ALAMIRO VELLUDO SALVADOR NETTO, QUE DEFENDE PEDRO DA SILVA

A Defesa de Pedro da Silva ainda não foi oficialmente comunicada da acusação, tampouco obteve conhecimento de seu teor. Contudo, salienta-se, desde logo, a total regularidade do patrimônio de PEDRO, bem como a lisura de sua conduta como servidor público na DERSA.

Alamiro Velludo Salvador Netto, advogado.

COM A PALAVRA, A DERSA

A DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S/A esclarece que desconhece a informação citada pela reportagem e que, junto ao Governo do Estado de São Paulo, é a grande interessada acerca do andamento das investigações. Se houve conduta ilícita com prejuízo aos cofres públicos, o Estado irá cobrar as devidas responsabilidades, como já agiu em outras ocasiões. A Companhia reforça seu compromisso com a transparência e se mantém, como sempre o faz, à disposição dos órgãos de controle para colaborar com o avanço das investigações. O ex-funcionário da DERSA Pedro da Silva deixou a empresa em 29/05/2018.

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