Promotoria abre 22 investigações por ‘movimentações atípicas’ na Assembleia do Rio

Promotoria abre 22 investigações por ‘movimentações atípicas’ na Assembleia do Rio

Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou contas de pelo menos 20 assessores; ex-assessor de Flávio Bolsonaro está entre os investigados

Constança Rezende/RIO

17 de dezembro de 2018 | 19h57

Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Foto: Zô Guimarães/Alerj/Divulgação

O Ministério Público do Rio abriu 22 procedimentos de investigação criminal com base no relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou movimentações atípicas em contas de pelo menos 20 assessores de deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Entre os investigados está o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidente eleito Jair Bolsonaro.

O Coaf identificou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em uma conta no nome de Queiroz, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

O documento cita um repasse de R$ 24 mil para a futura primeira-dama Michelle Bolsonaro – o presidente eleito disse que se tratava do pagamento de uma dívida antiga do policial militar com ele.

Segundo informou por nota o procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, a investigação derivada do Relatório de Inteligência Financeira (RIF) visa a esclarecer suposta participação de parlamentares e servidores no esquema. Porém, segundo o procurador, as movimentações atípicas indicadas pelo Coaf não necessariamente podem indicar alguma ilicitude.

A apuração é conduzida pelo Grupo de Atribuição Originária Criminal do MP, que atua junto ao procurador-geral de Justiça, mas os procedimentos foram divididos conforme a prerrogativa de cada parlamentar.

Na apuração criminal, os casos ligados aos deputados estaduais reeleitos citados serão atribuição do procurador-geral de Justiça.

Os deputados que não foram eleitos e os parlamentares que foram para a esfera federal, como no caso de Flávio Bolsonaro, que se elegeu senador, passarão a ser investigados por promotores de Justiça do primeiro grau de jurisdição.

Já a eventual prática de improbidade administrativa será analisada pela subprocuradoria-geral de Justiça de Assuntos Cíveis e Institucionais.

Segundo o Ministério Público, o órgão já adotou as medidas pertinentes em relação ao documento, mas tudo está sob sigilo. O ex-motorista e ex-segurança de Flávio deverá depor nesta quarta-feira, 19.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A assessoria do deputado não quis comentar o caso.

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