Promotores do RN acusam ex-servidor por tentativa de assassinato do procurador-geral

Promotores do RN acusam ex-servidor por tentativa de assassinato do procurador-geral

No dia 24 de março, Guilherme Wanderley entrou na sede da Procuradoria em Natal e disparou contra Rinaldo Reis Lima e outras duas vítimas, supostamente inconformado com a política de vencimentos para os funcionários do Ministério Público potiguar

Luiz Vassallo

09 de abril de 2017 | 09h00

POR QUE MATAR

O Ministério Público Estadual do Rio Grande do Norte denunciou o ex-servidor Guilherme Wanderley Lopes da Silva pelas tentativas de homicídio contra o procurador-geral de Justiça, Rinaldo Reis Lima, o procurador de Justiça adjunto Jovino Pereira da Costa Sobrinho e o Coordenador da Assessoria Jurídica Administrativa Wendell Beetoven Ribeiro Agra.

No dia 24 de março, Guilherme invadiu armado o prédio da Procuradoria-Geral de Justiça em Natal e atirou contra os procuradores e o coordenador. Antes dos disparos, entregou uma carta na qual constavam as supostas motivações para o crime.

Na denúncia contra o acusado, os promotores afirmam que ‘desde a assunção ao cargo de provimento em comissão, no ano de 1997, e após sua inclusão como servidor efetivo da instituição ministerial, o denunciado não sofreu qualquer punição disciplinar ou teve algum tipo de solicitação administrativa negada’.

Segundo a investigação do Ministério Público, quando Rinaldo Reis Lima se candidatou ao cargo de procurador-geral de Justiça, em 2013, Guilherme Wanderley teria tentado convencer os promotores e procuradores a não votarem nele, em razão de uma das propostas relacionadas aos vencimentos dos servidores da Instituição, que teria desagradado o então servidor.

“O desejo de vingança do acusado aumentou com a reeleição de Rinaldo Reis no ano de 2015, o que também significava a permanência das outras vítimas, Wendell Beetoven Ribeiro Agra e Jovino Pereira da Costa Sobrinho, na administração superior do Ministério Público do Rio Grande do Norte”, relatam os promotores que subscrevem a denúncia.

Segundo a acusação, Guilherme Wanderley teria adquirido ‘de forma ilegal’ um revólver para ‘entabular um plano para ceifar a vida das vítimas’.

O ex-servidor da Procuradoria elaborou inclusive pedidos de exoneração a serem assinados pelos procuradores Rinaldo Reis Lima e Jovino Pereira da Costa Sobrinho.

EXONERAÇÃO

Segundo a carta, redigida pelo acusado, os procuradores admitiriam ‘atos de improbidade’ e pediriam ‘desculpas’, inclusive ao próprio criminoso. Momentos antes de atirar, a carta foi entregue às vítimas, dentro do prédio da Procuradoria.

No texto, redigido pelo próprio denunciado, há um tópico intitulado ‘Por que matar Rinaldo, Jovino e Wendell?”. Em um parágrafo, o ex-servidor afirma que ‘foi tempo demais na companhia desses tiranos’.

“No meio Ministério Público, local do meu labor, não mais! Chega!”, escreveu.

Logo após entregar a carta, segundo a denúncia do Ministério Público, o ex-servidor sacou a arma e começou a atirar. Os disparos atingiram o procurador-geral de Justiça e as outras vítimas.

POR QUE NÃO AMEAÇAR

Depois do atentado, Guilherme Wanderley conseguiu fugir. No dia seguinte, o ex-servidor público se entregou e foi preso preventivamente.

Os promotores acusam Guilherme Wanderley por três tentativas de homicídio duplamente qualificados, ‘pela motivação fútil e em razão de ter sido praticado mediante dissimulação’.

COM A PALAVRA, GUILHERME WANDERLEY

O advogado Jonas Antunes, que defende Guilherme Wanderley, não foi localizado. O espaço está aberto para manifestação.

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