Promotores da democracia pedem volta dos excluídos à Lava Jato

Promotores da democracia pedem volta dos excluídos à Lava Jato

Ministério Público Democrático manifesta 'perplexidade e indignação' com o 'possível desmantelamento' da força-tarefa da Polícia Federal em Curitiba

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Luiz Vassallo

07 Julho 2017 | 17h57

Foto: Julio Cesar Lima/Estadão

O Movimento do Ministério Público Democrático (MPD) manifestou nesta sexta-feira, 7, ‘perplexidade e indignação’ com o ‘possível desmantelamento do grupo de trabalho de policiais federais dedicados exclusivamente à Operação Lava Jato’.

Na quinta-feira, 6, a Polícia Federal comunicou que o elenco de policiais instalados em Curitiba – base e origem da Lava Jato -, por meio de portaria, vai ser incorporado pela Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas, braço da Superitendência da PF no Paraná.

A PF afirma que a fusão vai fortalecer as investigações da alçada da Lava Jato.

A entidade dos promotores condena o remanejamento dos delegados, agentes, escrivães e peritos criminais federais que atuam na operação desde março de 2014, quando foi deflagrada a primeira etapa da Lava Jato.

“A Polícia precisa continuar e intensificar a apuração dos desvios do patrimônio público. Conclamamos o superintendente da Polícia Federal (Rosalvo Ferreira Franco) a revogar a portaria editada ontem (quinta-feira, 6), reintegrando os 70 policiais que serviam à Operação Lava Jato”, cobra o Ministério Público Democrático.

“A sociedade brasileira viu nesses últimos três anos um trabalho de grande envergadura e qualidade produzido pela Justiça brasileira”, destaca nota do Ministério Público Democrático. “Juntos, procuradores, magistrados, policiais e agentes da Receita começaram a criar no país a Justiça por que sempre almejamos, igual para todos, e passaram a alcançar o objetivo que mais se precisava: os desvios do dinheiro público.”

“Bilhões escondidos em outros países passaram a ser descobertos e recuperados”, ressalta a entidade. “Esquemas perversos de apropriação indevida do dinheiro público foram desnudados e seus responsáveis estão sendo responsabilizados. Todavia, na contramão da história, alguns que deveriam administrar com denodo a coisa pública, insistem em tentar bloquear o caminho da modernidade. Não aceitam que seu sistema patrimonialista está em ruínas e, ainda, buscam obstruir as tentativas de moralizar a coisa pública.”

Segundo o texto divulgado pelo Ministério Público Democrático ‘o movimento pela restauração dos valores republicanos não vai parar’.

“A população entendeu a necessidade de participação ativa nos destinos da Nação; e os membros da Justiça entenderam qual é seu novo papel na realização desse importante serviço público. Aos policiais federais, que atuaram na operação Lava Jato e em tantas outras já deflagradas e mais as que virão a acontecer, manifestamos nossa solidariedade, nosso apoio e nosso reconhecimento pelo exercício desse novo importante papel social que a Nação tanto precisa.”