Promotor não vê ‘prova documental’ da origem de R$ 110 mil em espécie de Edson Aparecido

Promotor não vê ‘prova documental’ da origem de R$ 110 mil em espécie de Edson Aparecido

Diretor-presidente da Cohab afirmou ao Ministério Público ter feito empréstimos não declarados de sua mulher e de sua secretária para completar valor de imóvel de luxo em São Paulo; ele é acusado de enriquecimento ilícito

Luiz Vassallo

13 Março 2018 | 05h46

Foto: Werther Santana/AE

O promotor de Justiça Marcelo Milani afirmou não ver ‘prova documental’ da origem de R$ 110 mil em espécie que o presidente da Cohab (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo) Edson Aparecido (PSDB) teria utilizado para a compra de um apartamento de alto padrão. Aparecido é alvo de ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual de São Paulo por suposto enriquecimento ilícito. Ele foi homem forte do governo Alckmin e chegou a ocupar a chefia da Casa Civil do Palácio dos Bandeirantes.

Aparecido disse ao Ministério Público, em depoimento, ter pego emprestado R$ 110 mil em 2006 de sua ‘assistente pessoal’ e de sua então namorada, com quem é casado, para completar o valor de compra do apartamento 181 do edifício ‘Maison Charlotte’, na rua Afonso Braz, bairro Vila Nova Conceição, zona Sul da Capital.

Os empréstimos não foram declarados ao Imposto de Renda, segundo o próprio tucano alegou.

Milani, no entanto, afirma que ele ‘não fez prova documental’ das transações.

A ação investiga se Aparecido teria enriquecido de maneira ilícita envolvendo transação de um apartamento.

“Essa discrepância de valores (de compra e de mercado) já se mostra suspeita o suficiente para colocar em dúvida a licitude do negócio: evidente que o demandado Edson Aparecido dos Santos suportou ilícito enriquecimento ao adquirir o apartamento por valor inferior ao real”, anotou o promotor.

Edson Aparecido dos Santos comprou o imóvel pelo valor de R$ 620 mil, em 2007. No entanto, segundo Milani, ‘valor venal do imóvel declarado naquela mesma escritura pública foi de R$ 744.344,00, com valor venal de referência de R$ 1.314.260,10’.

“Naquela mesma escritura consta que, antes da alienação ao demandado Edson Aparecido dos Santos, a Plafond Empreendimentos Imobiliários, e a Namour Incormporação, em 05/12/2011, por força de instrumento particular de compromisso de compra e venda não levado a registro, comprometeram-se a vender, como de fato venderam, o mesmo imóvel supracitado pelo valor de R$ 1.075.000,00”, narra.

Milani ainda diz que ‘no ano de 2001, portanto, o imóvel foi adquirido por Luiz Albert Kamilos e Sarah Maria Giffalli de Moura pelo valor de R$ 1 milhão, já abaixo do valor venal de referência’. “Em 2007, seis anos depois, Edson Aparecido dos Santos adquiriu o mesmo imóvel pelo valor de R$ 620 mil”.

“Noutras palavras, mesmo considerada a valorização anual do imóvel desde 2011 e levando-se em conta o notório boom imobiliário ocorrido na cidade de São Paulo, SP, no período, Edson Aparecido dos Santos adquiriu o apartamento por aproximadamente 40% a menos do valor de aquisição de 2001 e que fora declarado na escritura pública de 2007″, acusa.

COM A PALAVRA, EDSON APARECIDO

Por meio da Assessoria de Imprensa da Cohab, o diretor-presidente da Companhia, Edson Aparecido, declarou que é inocente.

“Edson Aparecido ainda não foi informado, não tomou conhecimento oficial da ação, mas reafirma sua inocência em relação ao que é objeto da investigação.”

 

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