Projetos filantrópicos: a verdadeira importância da solidariedade na luta contra o novo coronavírus

Projetos filantrópicos: a verdadeira importância da solidariedade na luta contra o novo coronavírus

Telma Sobolh*

05 de junho de 2020 | 08h00

Telma Sobolh. FOTO: DIVULGAÇÃO

Projetos sociais, Organizações Não Governamentais (ONGs), instituições filantrópicas e voluntários promovem ações com o mesmo propósito: contribuir para a melhoria da qualidade de vida de grupos à margem da sociedade, e fortalecer valores como solidariedade e empatia. Não importa se o projeto é voltado para comunidades, crianças, idosos, animais ou meio ambiente.

Em tempos de pandemia, a solidariedade tornou-se grande aliada e um grande remédio para amenizar os impactos do novo coronavírus no mundo, principalmente quando se trata da população carente, a mais afetada pelo vírus. Segundo a Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), que desenvolveu um monitor das doações para mapear as ações de combate à covid-19, a onda de ajuda no Brasil está crescendo e já resultou em mais de R$ 5 bilhões de doações.

Empresas lideram o ranking das maiores doações no Brasil, contribuindo com ações que criam barreiras para combater à disseminação do vírus. Além das companhias, as doações de pessoas físicas ganham destaque nesta luta e provam que mesmo com pequenas quantias a união e empatia faz a diferença. A sociedade está contribuindo cada vez mais para mudar o cenário da cultura de filantropia brasileira.

Em relação ao mundo, a cultura de doação no país não é tão sólida. Os brasileiros não têm o hábito de doar de forma recorrente, mas se mostram muito solidários diante das crises. No ranking mundial de solidariedade World Giving Index de 2019, o Brasil ficou na posição 74 entre 126 países avaliados. O que nos resta é saber se isso vai permanecer no mundo pós-pandemia.

Quando falamos de solidariedade, o desafio vai muito além das doações financeiras. A captação de recursos é essencial para garantir a manutenção e ampliação dos projetos sociais, bem como o trabalho dos voluntários.

No meio do caos, a pandemia despertou o olhar ao próximo, o espírito da solidariedade. Empresas e empregadores costumam valorizar pessoas que têm no currículo atividades voluntárias. Da mesma forma, que existe uma cobrança mundial para que as empresas tenham maior comprometimento e responsabilidade social e entendam que o seu papel não é só gerar lucro, mas também gerar valor para a sociedade. Essa tendência deve aumentar ainda mais no novo mundo.

A cultura do trabalho voluntário pode ser fomentada por meio da divulgação intensa dessas atividades pelas próprias instituições e voluntários que nelas atuam, com o apoio das redes sociais e da imprensa, pois assim essas ações ganham visibilidade e farão cada vez mais parte do dia a dia das pessoas, além de colaborar com a cultura de apoio.

Precisamos aproveitar o momento de reflexão para aprender a verdadeira importância de ajudar quem mais precisa e entender que isso vai além do impacto financeiro.  É momento de repensar nossas atitudes e começar a criar novas responsabilidades que vão ajudar na construção de um futuro melhor.

A pandemia evidenciou as desigualdades sociais. Todos os dias testemunhamos como as iniciativas solidárias têm sido cruciais a milhões de pessoas. As pessoas estão se dando conta que a ajuda, mesmo que pequena, transforma a vida de alguém. Essas práticas estão sendo colocadas em evidência neste momento difícil, que exige mudanças.

Uma coisa eu posso assegurar, a covid-19 está gerando uma grande comoção nacional e mundial e construindo novos hábitos. O mundo já mudou e será ainda mais diferente pós-tempestade. As pessoas estão descobrindo a importância da responsabilidade social e isso tende a ficar. A expectativa é de que surja uma cultura maior de doações no Brasil. Então, vamos fazer a nossa parte e juntos transformar o mundo em um lugar melhor?

*Telma Sobolh, presidente do Voluntariado Einstein

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