Projeções para a retomada: o que podemos esperar?

Projeções para a retomada: o que podemos esperar?

Marcelo Fonseca*

06 de outubro de 2020 | 09h00

Marcelo Fonseca. FOTO: DIVULGAÇÃO

Desde o início da pandemia da COVID-19, muito se discute sobre os efeitos da paralisação da economia por vários meses no Brasil – um dos países mais afetados pela crise sanitária. A preocupação de uma possível recessão se tornou real após a parada de diversas atividades a partir do mês de março e, com isso, a queda na expectativa do PIB (Produto Interno Bruto) acabou sendo inevitável.

O tombo do indicador no segundo trimestre, de 9,7% de retração em relação ao trimestre anterior, apesar de já esperado, surpreende por sua magnitude. O IBGE revisou o resultado do primeiro trimestre que também indicou uma queda maior, de 1,5% passou a 2,5%.

A forte retração já era esperada devido à parada da economia mundial, não apenas a brasileira. O período de lockdown necessário em alguns países, fechou as portas de fábricas, comércios, hotéis, bares e restaurantes. Em um movimento abrupto e sem precedentes, a economia parou e levou o mundo a uma recessão econômica global, em que poucos países estão em fase de recuperação, sendo a China uma exceção.

Apesar do cenário pessimista, a expectativa do Ministério da Economia mantém, até então, uma projeção de queda em 2020 de 4,7% e destaca uma forte retomada da atividade para o último trimestre do ano. Mas o otimismo também deve ser moderado, pois os efeitos da COVID-19 na economia, principalmente, entre os meses de março e maio, ainda estão sendo sentidos.

O IBGE divulgou por meio da Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da COVID-19 nas Empresas, dados que mostram que 716 mil estabelecimento fecharam as portas no Brasil, afetando especialmente o comércio (39,4%) e serviços (37%), sendo as pequenas empresas as principais atingidas. Já entre as 2,7 milhões de organizações que seguem abertas e operando com instabilidade, 70% relatam diminuição de vendas ou serviços desde o início da pandemia no Brasil. Dados que sinalizam dificuldades para a esperada recuperação econômica.

Mas, afinal, o que podemos esperar daqui para frente? Para essa pergunta, é importante reforçar que a retomada dependerá de medidas de ação e incentivos governamentais, o que inclui as reformas esperadas, contribuindo para elevar a capacidade de investimento do setor público, a abertura de novos postos de trabalho e, consequentemente, o aumento do consumo das famílias. Além das reformas, o mercado também observa se o “teto de gastos” será respeitado, uma vez que o endividamento público pode chegar a 100% do PIB este ano. Sem a garantia de que a dívida será controlada, não haverá ambiente para manutenção da taxa Selic. Em meio ao problema de sustentabilidade fiscal já desponta no horizonte nuvens cinzentas sob a forma de inflação.

Ainda é prematuro traçar um futuro para a retomada da economia brasileira e as dimensões do que está por vir só poderão ser mais bem dimensionadas nos próximos meses. A capacidade do governo em propor soluções factíveis para reconquistar algum grau de equilíbrio fiscal dará o tom para o crescimento futuro da economia.

*Marcelo Fonseca, sócio e economista da HLB Brasil

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