Proibir a entrada de estrangeiros nos EUA não era esperado?

Proibir a entrada de estrangeiros nos EUA não era esperado?

Vinícius Bicalho*

30 de maio de 2020 | 07h00

Vinicius Bicalho. FOTO: DIVULGAÇÃO

No último dia 24 de maio, o presidente Donald Trump anunciou que brasileiros e outros estrangeiros que estiveram no Brasil estão proibidos de entrar nos Estados Unidos para evitar a proliferação de novos casos de coronavírus no país. A decisão – que é válida a partir do dia 29 de maio e vai vigorar por tempo indeterminado – pareceu pegar muita gente de surpresa e não entendi o porquê.

Levando em consideração os dados divulgados pelas secretarias estaduais de saúde, o Brasil já confirmou mais de 360 mil casos da doença. Dessa forma, acredito que o chefe de estado americano tomou uma decisão pensando em proteger a nação, uma vez que a América do Sul é o novo epicentro da covid-19. Detentores de Green Card estão isentos das sanções.

Independentemente de questões e lados políticos, tenho a intenção de mostrar que o bloqueio de voos brasileiros para os EUA não é nada pessoal. Inclusive, as ações comerciais entre os dois países continuarão normalmente. E mais, o Brasil também restringiu a entrada de estrangeiros, de qualquer nacionalidade, por meios terrestres, aquaviários ou aéreos, para conter o avanço da pandemia.

Estamos preocupados com as incertezas do coronavírus e com as consequências que teremos nos cenários políticos e econômicos, mas não podemos perder tempo criando fantasias atrás das decisões dos nossos governantes. O que me chama a atenção, é ver pessoas que aplaudem prefeitos que limitam a circulação de cidadãos entre as cidades, ficarem pasmas com as limitações entre nações.

Aqui na Flórida, já existem restaurantes abertos e muitos comércios estão retomando as atividades, mas por termos nos Estados Unidos a maior malha aeroviária do mundo, precisamos adotar medidas rígidas para que a contaminação do coronavírus não seja ainda maior. Vamos viver dia após dia e observar os desdobramentos da covid-19 em todos os países do mundo. O período pede pé no freio e paciência para administrar toda essa situação.

*Vinicius Bicalho é mestre em direito no Brasil e EUA e especializado em Negócios Internacionais, atuando há 18 anos como sócio na Bicalho Consultoria Legal

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