Professor de escola particular de Pinheiros é preso em operação de combate à pedofilia

Professor de escola particular de Pinheiros é preso em operação de combate à pedofilia

Docente foi detido na fase 6 da Operação Luz da Infância, deflagrada nesta terça, 18; St Nicholas School enviou nota aos pais de alunos na qual afirma 'ter sido surpreendida' e que 'está colaborando com as autoridades'

Pedro Prata

18 de fevereiro de 2020 | 16h46

Foto: Reprodução

O professor Ivan Secco, da Saint Nicholas School, em Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, foi preso na manhã desta terça, 18, durante a Operação Luz da Infância, etapa 6, desencadeada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e as polícias civis de 12 Estados para identificar autores de crimes de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. Ao todo 43 pessoas foram presas em flagrante por suspeita de envolvimento em produção ou armazenamento de pornografia infanto-juvenil.

O colégio enviou nota aos pais de alunos e se disse ‘surpreendida com uma operação policial de investigação de pedofilia que prendeu um de nossos professores da unidade de Pinheiros’.

O delegado Osvaldo Nico, da Polícia Civil de São Paulo, afirmou que o professor ‘pediu ajuda’.

Segundo a Polícia Civil, o professor fazia uso de uma artimanha para ludibriar as vítimas, em geral meninas de 12 e 13 anos de idade. Ele embutia em caixinhas de remédio uma câmera secreta para filmar as alunas em sala. Foram três anos de armazenamento de imagens.

Secco, segundo os investigadores, mantinha em seus computadores o arquivo de fotos e vídeos das vítimas.

A polícia fez buscas na casa do docente, onde um computador foi confiscado. Também apreendeu um segundo computador dele na sala de professores da escola.

Foto: Reprodução

A Polícia fixou uma fiança de R$ 30 mil, mas paralelamente pediu à Justiça decretação da prisão preventiva de Secco.

Segundo a Polícia, o docente tem quatro filhos que estudam em outra escola. A mulher dele é diretora de uma escola.

Foto: Ministério da Justiça e Segurança Pública / Reprodução

Em entrevista coletiva na tarde desta terça, 18, Nico afirmou que o professor pediu ajuda à Polícia.

“Pediu ajuda prá nós, prá poder recuperar da doença dele.”

“Ele fala isso de uma maneira, assim, pedindo ajuda prá polícia. Mas agora é tarde. a casa caiu, ele tá aqui.”

“A escola já se colocou à disposição das autoridades policiais para colaborar amplamente com as investigações. Paralelamente, a escola abriu sindicância interna para apurar informações complementares.”

A equipe do colégio também afirmou ter conversado com professores e crianças e estar aberta para atender aos pais. “Nós estamos em choque e nos comprometemos a entender o que aconteceu e oferecemos apoio incondicional a toda a comunidade.”

Foto: Reprodução

São Paulo foi o Estado com maior número de flagrantes na fase 6 da Operação Luz da Infância, no qual 14 pessoas foram detidas durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão de arquivos com conteúdo relacionado a crimes de exploração sexual praticados contra crianças e adolescentes.

As forças policiais cumpriram 58 mandados de busca e apreensão em todo o Estado. Foram empenhados 201 policiais civis em 85 viaturas. A força-tarefa é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, pasta do ministro Sérgio Moro.

No Brasil, a pena para quem armazena conteúdo relacionado aos crimes de exploração sexual varia de 1 a 4 anos de prisão, de 3 a 6 anos pelo compartilhamento e de 4 a 8 anos de prisão pela produção.

COM A PALAVRA, A ST NICHOLAS SCHOOL

“A St. Nicholas School, em respeito aos seus alunos, pais e professores, bem como à sociedade, cumpre o dever de esclarecer que:

1. No âmbito policial, as autoridades vêm conduzindo as investigações referentes aos fatos envolvendo um professor dessa instituição. E a escola tem prestado o apoio irrestrito às apurações e esclarecimentos sobre o que é do seu conhecimento.

2. O professor, objeto das investigações, está definitivamente afastado do quadro docente diante dos fatos já apurados.

3. A escola se sente surpreendida pelos acontecimentos uma vez que – assim como as demais – adota procedimentos e práticas criteriosas na contratação dos seus profissionais.

4. Apesar disso, hoje em dia, todas as instituições estão vulneráveis a atitudes decorrentes de desequilíbrios individuais, as quais, por suas características dissimuladas, são difíceis de serem previstas e identificadas.

5. Tais fatos, todavia, não isentam a St. Nicholas School de rever seus processos internos e aferir suas possíveis falhas – com senso crítico acurado na busca de maior segurança para todos. Novos procedimentos serão implantados.

6. A escola é sensível ao impacto causado pelos fatos em seus alunos, pais, professores e demais profissionais. Exerce, com transparência, um diálogo permanente com vistas a esclarecer e manter o bom seguimento das suas atividades educacionais.

A St. Nicholas School reitera seu compromisso com a honestidade e transparência ética. E não deixará de comunicar às autoridades policiais sobre todos os fatos novos que possam surgir no decorrer da sindicância interna que está promovendo.”

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem busca contato. O espaço está aberto para manifestação.

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