Procuradoria vê riscos de Temer ‘criar estratégias’ e insiste na sua volta à prisão da Lava Jato

Procuradoria vê riscos de Temer ‘criar estratégias’ e insiste na sua volta à prisão da Lava Jato

Ministério Público Federal enviou manifestações ao Tribunal Regional Federal da 2.ª Região, que julgará nesta quarta, 8, recurso contra a soltura dos alvos da Operação Descontaminação que, em março, levou ex-presidente e também ex-ministro Moreira Franco e Coronel Lima para a prisão preventiva

Pepita Ortega

07 de maio de 2019 | 13h03

Temer chega a sua residência no Alto de Pinheiros, após ser liberado da cadeia da Lava Jato. Foto: Alex Silva/ESTADÃO

O Ministério Público Federal insiste na volta à prisão da Lava Jato do ex-presidente Michel Temer, do ex-ministro de Minas e Energia Moreira Franco e do coronel reformado João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima. A procuradoria enviou manifestações ao Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2) se opondo aos habeas corpus dos alvos da Operação Descontaminação. O MPF tinha recorrido contra a decisão, que será examinada pelos três desembargadores da 1.ª Turma que serão julgados, no mérito, nesta quarta-feira, 8.

Na avaliação da Procuradoria, a prisão preventiva ‘é necessária para evitar o risco da reiteração de crimes além de garantir a ordem pública e a regular instrução penal’.

Nos memoriais ao TRF-2, o Ministério Público Federal na 2.ª Região (RJ/ES) reforçou a necessidade da prisão preventiva do ex-presidente e de seus aliados próximos, que respondem ação penal por corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A Procuradoria sustenta que Temer na prisão garantirá ‘a ordem pública e a regular instrução penal’.

Para o Núcleo Criminal de Combate à Corrupção (NCCC), braço da Procuradoria, ‘ficaram demonstradas manobras para ocultar e destruir provas da materialidade dos crimes’.

“É gravíssimo ter sido revelada uma espécie de contrainteligência responsável pela destruição de provas e rastros, além do monitoramento dos policiais responsáveis pela investigação”, ressaltam os procuradores regionais Mônica de Ré, Neide Cardoso de Oliveira, Rogério Nascimento e Silvana Batini.

“Em situações desse tipo, a liberação do acusado traz potencial risco de inviabilizar certas linhas investigatórias, a partir do momento em que lhe permite alertar seus pares e com eles criar estratégias para dificultar as apurações em curso”, alertam os procuradores. “Devido à complexidade e tamanho, a investigação certamente ainda não chegou ao seu fim.”

Eles destacam que em buscas e apreensões da Operação Descontaminação foram encontrados documentos que apontam para a destruição de provas.

Durante as investigações, o Ministério Público Federal ‘verificou condutas relacionadas à lavagem de dinheiro ilícito e à ocultação de patrimônio fruto de crimes, o que torna a prisão preventiva necessária para cessar a reiteração de práticas criminosas e evitar que produtos dos crimes permaneçam ocultos’.

Temer, Moreira Franco e Coronel Lima foram presos em março por ordem do juiz federal Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal do Rio.

Outros cinco investigados foram detidos na ocasião: a mulher de Lima, Maria Rita Fratezi, o sócio do coronel, Carlos Alberto Costa, Carlos Alberto Costa Filho, Vanderlei de Natale e Carlos Alberto Montenegro Gallo

Quatro dias depois, o desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região, determinou a soltura dos alvos da Operação Descontaminação, braço da Lava Jato no Rio que investiga crimes de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e fraudes à licitação na construção da usina nuclear de Angra 3 e indicou desvios de ao menos R$ 18 milhões.

O Ministério Público Federal recorreu contra a decisão de Athié, que será examinada pela Primeira Turma do TRF-2, composta também pelos desembargadores Abel Gomes e Paulo Espírito Santo.

“Em situações desse tipo, a liberação do acusado traz potencial risco de inviabilizar certas linhas investigatórias, a partir do momento em que lhe permite alertar seus pares e com eles criar estratégias para dificultar as apurações em curso. Devido à complexidade e tamanho, a investigação certamente ainda não chegou ao seu fim”, afirma a Procuradoria na 2.ª Região (RJ/ES).