Procuradoria vê ‘omissão’ e pede a Moro revisão da delação de Schahin

Procuradoria vê ‘omissão’ e pede a Moro revisão da delação de Schahin

Ministério Público Federal indicou ao juiz da Lava Jato que empreiteiro Milton Schahin teria ocultado documentos e 'informações importantes'

Julia Affonso

26 Julho 2017 | 14h30

Milton Schahin. Foto: Reprodução

O Ministério Público Federal requereu ao juiz federal Sérgio Moro que reveja o acordo de delação premiada do empresário Milton Schahin. A força-tarefa da Operação Lava Jato informou ao magistrado nesta segunda-feira, 24, que houve ‘omissão na apresentação de documentação e de informações importantes’.

Documento

Schahin é réu na mesma ação penal em são acusados os lobistas do PMDB Jorge Luz e Bruno Luz, pai e filho.

A força-tarefa da Lava Jato afirma que os Luz teriam atuado como representantes dos interesses de parlamentares e ex-executivos da Petrobrás ‘corrompidos para recebimento de propina em contratos de aquisição e operação de navios-sonda da Área Internacional da estatal’.

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São objetos da denúncia os contratos de aquisição dos navios-sonda Petrobrás 10.000 e Vitoria 10.000 e a contratação da Schahin Engenharia para operação do navio-sonda Vitoria 10.000 ao custo de US$ 1,6 bilhão. Os executivos do grupo Schahin ofereceram, segundo o Ministério Público Federal, propina de US$ 2,5 milhões aos funcionários da Área Internacional da Petrobrás para dar viabilidade técnica à contratação.

Nesta segunda-feira, 24, a força-tarefa relatou a Moro que, após compartilhamento de provas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foram localizadas minutas referentes aos contratos entre Schahin Engenharia e a Gea Projetos, a Casablanca International Holdings LTD – offshore do grupo – e a Pentagram Engineering LTD – offshore de Bruno Luz e Jorge Luz.

“Ainda foi encontrado contrato assinado entre a Cap Dupell e a Pentagram Engineering LTD. De acordo com o interrogatório de Bruno Luz, a Cap Dupell é também uma offshore pertencente aos Schahin. Por fim, também foi identificada uma pauta referente a cobranças envolvendo a propina devida pela Schahin a Jorge Luz e Bruno Luz. Vale ressaltar que a existência de instrumentos contratuais foi negada por Milton Schahin em colaboração premiada, o qual também afirmou não possuir documentos e demais extratos envolvendo os pagamentos para Jorge e Bruno Luz”, narrou a força-tarefa.

“Desse modo, junta-se comunicações entre a defesa de Milton Schahin e esta força-tarefa, a fim de que a colaboração do acusado seja devidamente avaliada na sentença, mormente em relação à omissão na apresentação de documentação e de informações importantes para o deslinde da causa.”

Jorge Luz e Bruno Luz estão presos preventivamente desde 25 de fevereiro, por corrupção e lavagem de dinheiro. Em interrogatório perante Moro, na semana passada, Jorge Luz confessou ter intermediado propinas de R$ 11,5 milhões aos senadores do PMDB Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA), ao ex-ministro Silas Rondeau e ao deputado Anibal Gomes (CE) – todos os parlamentares negam enfaticamente recebimento de valores ilícitos.

COM A PALAVRA, MILTON SCHAHIN

“Os documentos apresentados pela força-tarefa apenas corroboram os fatos que foram mencionados na delação. O empresário Milton Schahin continuará colaborando com a Justiça.”

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