Procuradoria vê ‘articulações da mais diversa ordem’ entre Henrique Alves e Temer

Procuradoria vê ‘articulações da mais diversa ordem’ entre Henrique Alves e Temer

No pedido de prisão do ex-ministro do Turismo, na Operação Manus, procuradores afirmam que mesmo após deixar o Governo de seu 'correligionário', Henrique Eduardo Alves 'continua a exercer intensa atividade política em âmbito nacional'

Fausto Macedo, Julia Affonso e Luiz Vassallo

07 de junho de 2017 | 17h48

Henrique Eduardo Alves (à esq) e Michel Temer. Foto: Ed Ferreira/Estadão

A Procuradoria da República, no Rio Grande do Norte, aponta ‘articulações da mais diversa ordem’ entre o presidente Michel Temer (PMDB) e seu aliado, o ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), preso nesta terça-feira, 6, na Operação Manus, desdobramento da Lava Jato.

“O quadro se mostra mais preocupante se se considera que, exatamente em 2016, até os dias de hoje, o partido político de Henrique Eduardo Lyra Alves, o PMDB, assumiu a Presidência da República, após processo de impeachment da anterior Chefe do Executivo nacional”, afirma a Procuradoria no pedido de prisão de Henrique Alves, na Operação Manus.

“O vice-presidente Michel Temer, correligionário de Eduardo Henrique Lyra Alves, assumiu o poder, sendo concretamente provável que o ora investigado se dirija a Brasília/DF exatamente para com ele estabelecer articulações da mais diversa ordem.”

No pedido de prisão de Henrique Alves, suspeito de envolvimento em fraude de R$ 77 milhões nas obras da Arena das Dunas, em Natal, para a Copa 14, a Procuradoria acentua os laços do ex-ministro com o presidente.

A investigação encontrou repasse de R$ 500 mil, em setembro de 2014 – ano em que Henrique Alves candidatou-se ao governo potiguar -, da empreiteira OAS para o peemedebista via conta da campanha de Temer e do diretório estadual do PMDB no Rio Grande do Norte.

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Em 11 de setembro de 2014, o repasse de ‘valores ilícitos’, no montante de R$ 500 mil, em forma de doação, saiu da OAS par o ‘destinatário’  Michel Elias Temer de Lulia, justamente ao candidato a vice-presidente. Desta conta, a quantia foi transferida para o diretório estadual do PMDB no Rio Grande do Norte, e de lá para a conta de Henrique Alves. Todo o fluxo do dinheiro ocorreu no dia 11 de setembro.

Segundo a Procuradoria, mesmo depois do fim do mandato como deputado federal, em 2015, e da saída do Ministério do Turismo, em 2016, Henrique Alves ‘continua a exercer intensa atividade política em âmbito nacional’.

“Durante as investigações, colheram-se dados, especialmente da empresa aérea Avianca, que indicam que, desde junho de 2016 até no mínimo abril de 2017, ele, apesar de não ter nenhum cargo no Governo Federal, viaja constantemente, com periodicidade praticamente semanal, entre Natal/RN e Brasília/DF”, aponta a Procuradoria.

Para a Procuradoria, os constantes deslocamentos do aliado de Temer indicam que ele ‘persiste atuando na mesma esfera de atividades na qual foram praticados os crimes ora investigados’.