Procuradoria tira Roseana da Lava Jato

Procuradoria tira Roseana da Lava Jato

Ministério Público Federal pede arquivamento de investigação sobre repasse de R$ 2 milhões do esquema de corrupção na Petrobrás para a campanha de 2010 no Maranhão envolvendo doleiro Alberto Youssef e ex-diretor da estatal

Fausto Macedo, Julia Affonso e Mateus Coutinho

24 de novembro de 2016 | 20h49

Roseana Sarney. Foto: Antonio Martins

Roseana Sarney. Foto: Antonio Martins

A Procuradoria Geral da República pediu o arquivamento do inquérito em que a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB) era investigada por supostamente ter recebido R$ 2 milhões na campanha de 2010 via ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, e doleiro Alberto Youssef, personagens centrais da Operação Lava Jato.

Segundo a defesa de Roseana, a Polícia Federal já havia pedido, por duas vezes, o arquivamento dos autos.

Agora, o inquérito segue para apreciação do ministro Teori Zawaski, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

No final de 2014, quando foram iniciadas as investigações, o engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, afirmou em delação premiada que havia conversado com a então governadora e que havia mandado entregar R$ 2 milhões para a campanha eleitoral no Maranhão em 2010, ‘a pedido’ de Roseana.

Mas o doleiro Alberto Youssef, também investigado na Operação Lava Jato e que também fez delação premiada, negou que tivesse feito entrega de valores para a campanha da peemedebista.

A defesa de Roseana Sarney afirma que ela estava fora do País com sua família, mas, ao tomar conhecimento da investigação da Lava Jato ‘retornou para colaborar com a Polícia Federal e com o Ministério Público Federal’.

“Roseana ofereceu a quebra dos sigilos bancário e telefônico, sempre se colocando à disposição da Justiça”, diz o criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro Kakay, defensor da ex-governadora.

“Foi um período de 2 anos de investigações e com várias diligências expondo Roseana a um constrangimento desnecessário”, protesta Kakay. “Nada foi provado porque era uma mentira deslavada do delator (Paulo Roberto Costa). Esse arquivamento, embora tardio, resgata, nesse ponto de vista, a verdade.”

Na avaliação do advogado, ‘Roseana conseguiu uma vitória importante’.

“Este era o único inquérito em que Roseana era investigada. Embora a demora nas investigações tenha causado um enorme prejuízo pessoal e político, para Roseana a Lava-Jato é uma página do passado”, conclui Antônio Carlos de Almeida Castro Kakay.

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.