Procuradoria também pede Palocci por tempo indeterminado na prisão

Na mesma linha de argumentação da Polícia Federal, força-tarefa do Ministério Público Federal classifica de 'fato extremamente grave a retirada de computadores' da empresa de consultoria do ex-ministro da Fazenda em São Paulo

Mateus Coutinho, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

30 de setembro de 2016 | 14h13

pfprojeto

O Ministério Público Federal também quer Antonio Palocci na prisão por tempo indeterminado.
Em manifestação ao juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, a força-tarefa da Procuradoria da República segue a mesma linha de argumentação da Polícia Federal que pediu a decretação da prisão preventiva do ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil nos governos Lula e Dilma.

O pedido é subscrito pelos treze procuradores da Lava Jato.

Documento

Eles destacam que o escritório da empresa de Palocci, a Projeto Consultoria, em São Paulo, ‘era um dos principais locais utilizados para encontros e tratativas espúrias, conforme demonstrado nos e-mails e registros de reuniões’

Palocci foi preso em regime temporário na Operação Omertà, por cinco dias, na segunda-feira, 26. Nesta quinta, 29, ele foi interrogado na Polícia Federal e negou enfaticamente recebimento de R$ 128 milhões da empreiteira Odebrecht. Nesta sexta, 30, a PF pediu a conversão da temporária de Palocci em preventiva – por tempo indeterminado.

O ponto central do pedido da PF e da Procuradoria reside na suspeita de destruição de provas a partir da descoberta do sumiço de computadores da sede da Projeto. “A retirada de computadores do local onde tais tratativas se realizavam e onde tanto Branislav Kontic (braço direito do ex-ministro da Fazenda) quanto Antonio Palocci trabalhavam é fato extremamente grave e, juntamente com os outros elementos já delineados, demonstra a necessidade de conversão da prisão temporária em prisão preventiva”, cravam os procuradores.

Eles destacam ao juiz Moro ‘que o fato de os computadores terem sido retirados do escritório da empresa Projeto constituem circunstância totalmente nova, surgida no
cumprimento das buscas e apreensões, e que, portanto, não havia sido avaliada quando da decretação da prisão temporária’.

A Procuradoria anexou imagens das mesas vazias da Projeto. “Conforme revelaram as imagens reproduzidas, as estações de trabalho foram encontradas pela Polícia Federal sem a presença dos desktops, havendo no local apenas os monitores, mouses e teclados. Apesar de Branislav Kontic ter afirmado que os desktops teriam sido retirados do local por se tratarem de computadores antigos, a análise das fotografias demonstra exatamente o contrário: os equipamentos ilustrados nas imagens revelam ser bastante novos e em ótimo estado.”

Os procuradores anotam, ainda. “A partir das fotos juntadas na informação, observa-se que pelo menos três estações estavam sem computador. Todavia, na busca e apreensão, foram encontrados apenas dois notebooks, o que reforça os indicativos de possível ocultação dos equipamentos eletrônicos.”

Os procuradores acentuam que ‘há indicativos de que os investigados tenham atuado para ocultar elementos probatórios úteis à investigação’. Eles registram que a PF encontrou na Projeto ‘fios desconectados sobre a mesa (dos computadores)’.

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