Procuradoria suspeita que fortuna de Nuzman no cofre suíço pode ir além do ouro

Procuradoria suspeita que fortuna de Nuzman no cofre suíço pode ir além do ouro

Ministério Público Federal trabalha com a hipótese de que o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, alvo da Operação Unfair Play, oculte em banco de Genebra mais que 16 barras do metal precioso

Julia Affonso e Constança Rezende/RIO

09 de outubro de 2017 | 17h41

Foto: Reprodução do pedido do Ministério Público Federal

A força-tarefa do Ministério Público Federal que atua na Operação Unfair Play suspeita que o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) mantenha oculto no cofre de um banco suíço mais que as 16 barras de ouro que ele próprio apressou-se em declarar à Receita depois de se tornar alvo, em setembro, da primeira etapa da investigação sobre suposto esquema de compra de votos para eleger o Rio sede dos Jogos Olímpicos.

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Nuzman e seu braço direito Leonardo Gryner estão presos desde quinta-feira, 5, por ordem do juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Criminal Federal do Rio.

A possibilidade de Nuzman manter um tesouro mais alentado ainda no exterior foi levantada pela força-tarefa da Procuradoria da República no pedido a Bretas para converter em regime preventivo – sem prazo para terninar – a prisão temporária imposta ao presidente do COB.

Foto: Reprodução do pedido do Ministério Público Federal

Para ampliar a investigação e reforçar o rol de provas contra Nuzman, a Procuradoria pediu cooperação internacional com a Suíça para ‘identificação do patrimônio possivelmente ocultado em um cofre em Genebra que pode não se limitar às 16 barras de ouro apresentadas em retificação da declaração do imposto de renda’.

Na avaliação dos nove procuradores que integram a força-tarefa da Unfair Play se Nuzman for solto agora ‘a diligência em questão pode ser evidentemente prejudicada pelo acesso ao referido cofre e movimentação dos bens lá armazenados’.

Os procuradores acentuam que ‘em relação ao patrimônio de Carlos Nuzman, vale destacar que no cumprimento da ordem de busca e apreensão em sua residência, em 5 de outubro, foi encontrado junto às cópias impressas de mensagens enviadas por Papa Diack, um documento relacionando medidas a serem adotadas para ‘regularizar’ o patrimônio não condizente com as declarações de imposto de renda apresentadas à Receita Federal’

“No documento há ainda menção a possível retificação de declarações devidas ao Banco Central, que aparentemente se refere à Declaração Anual de Capitais Brasileiros no Exterior, obrigatória para residentes no país detentores de ativos que totalizem montante igual ou superior ao equivalente a US$100 mil, o que representa um indicativo de ocultação de ativos no exterior por parte do requerido (Carlos Nuzman)”, assinala a força-tarefa.

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