Procuradoria recorre de arquivamento do inquérito contra Beto Mansur

Procuradoria recorre de arquivamento do inquérito contra Beto Mansur

É o oitavo recurso de Raquel Dodge contra arquivamentos promovidos pelo Supremo sem prévia manifestação do Ministério Público

Amanda Pupo e Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA, e Luiz Vassallo/SÃO PAULO

24 de agosto de 2018 | 16h48

Deputado Beto Mansur, do MDB. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Brasília, 24/08/2018 – A Procuradoria-Geral da República (PGR) recorreu nesta sexta-feira, 24, do arquivamento de inquérito que investigava o deputado federal Beto Mansur (MDB-SP) no Supremo Tribunal Federal (STF), aberto a partir da delação da Odebrecht. A decisão foi tomada pelo ministro Gilmar Mendes, relator do caso, sem que houvesse pedido da PGR. O processo tramita sob sigilo no STF.

O inquérito foi aberto após delatores da Odebrecht atribuírem ao parlamentar o recebimento de um total de R$ 550 mil para sua campanha eleitoral. Desse valor, R$ 250 mil teria sido repassado por intermédio de doação oficial realizada pela empresa Agro Energia Santa Luzia S/A, de acordo com o Ministério Público.

Esse foi o sexto inquérito da Odebrecht arquivado sem pedido da PGR desde junho. Ao todo, são sete abertos com base na delação da empreiteira nessa situação. Para a PGR, que já recorreu de outras decisões semelhantes, a medida fere entendimento do próprio STF. Segundo a assessoria do órgão, este é o oitavo recurso apresentado pela PGR desde o fim do mês junho com o propósito de impedir o arquivamento de investigações sem manifestação prévia do Ministério Público. Além dos inquéritos da Odebrecht, outros dois, um contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), e outro contra a deputada federal Jandira Fhegali (PCdoB-RJ) também foram arquivados, contrariando a PGR.

Em todas as peças, a procuradora-geral da República Raquel Dodge destaca que Constituição Federal reserva a diferentes órgãos as funções de defender, acusar e julgar.

Na última terça-feira, por 4 a 1, a Segunda Turma da Corte mandou arquivar um inquérito da Odebrecht que investiga o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM-SP), candidato a vice-governador de São Paulo na chapa encabeçada por João Doria (PSDB-SP). Os ministros alegaram que não havia provas suficientes para justificar a continuidade das investigações.

Segundo a PGR, o plenário do STF já se manifestou contra a possibilidade de o Poder Judiciário determinar o arquivamento de inquérito policial sem prévia provocação ou manifestação do MP. A assessoria do órgão cita que, em 2014, a maioria dos ministros afastou essa possibilidade, mesmo existindo previsão no regimento interno da Corte, que prevê o trancamento de investigações em manifestação do MP apenas em situações excepcionais.

Nesta próxima terça-feira, 28, a Segunda Turma da Corte pode discutir novamente arquivamento de inquérito sem pedido da PGR. Estão previstos na pauta os recursos da procuradoria contra o trancamento das investigações nos inquéritos de Aécio e de Jorge Viana (PT-AC).

COM A PALAVRA, BETO MANSUR

O deputado afirmou não haver ‘nada de errado’ com o fato de a Procuradoria ter impetrado o recurso. Ele diz que o pedido da procuradora-geral é seu ‘dever de ofício’. O parlamentar ainda reitera inocência.

“Eles acabaram recorrendo, mas, na verdade, é uma besteira, não existe nada irregular porque eu comprovei que o recurso da Odebrecht foi declarado e que minhas contas foram aprovadas”, afirmou.

Tudo o que sabemos sobre:

Beto Mansuroperação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: