Procuradoria quer perito para avaliar saúde do amigo de Lula

Procuradoria quer perito para avaliar saúde do amigo de Lula

Força-tarefa da Lava Jato diz ao juiz Sérgio Moro que ‘sucessivos problemas de saúde apresentados parecem configurar meio bastante apropriado para evitar a segregação cautelar em estabelecimento prisional’

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

30 Agosto 2016 | 15h58

Bumlai foi interrogado por Moro em maio deste ano. Foto: Reprodução

Bumlai foi interrogado por Moro em maio deste ano. Foto: Reprodução

O Ministério Público Federal solicitou ao juiz federal Sérgio Moro que nomeie um perito médico judicial para avaliar o estado de saúde do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Moro adiou por duas vezes o retorno de Bumlai, internado em um hospital de São Paulo, à prisão.

“Impera a nomeação de perito judicial para avaliar o real quadro médico apresentado por José Carlos Costa Marques Bumlai, bem como a necessidade e a pertinência dos tratamentos médicos realizados e da internação hospitalar informada pela defesa”, afirma a força-tarefa da Lava Jato.

A Procuradoria da República quer que o perito esclareça três pontos.

“1. Verificar a existência de doenças que eventualmente acometam o nominado, mediante análise de exames e laudos médicos apresentados pela defesa, sem prejuízo de exames complementares solicitados pelo perito judicial;

2. em caso de diagnóstico de doenças, especificação das CIDs respectivas e indicação pormenorizada dos tratamentos médicos e hospitalares cabíveis e necessários, circunstanciando de maneira expressa a necessidade de internação hospitalar, se houver”, pede o Ministério Público Federal.

3. indicar se existe incompatibilidade, parcial ou absoluta, do tratamento médico com o sistema prisional, ressaltando que José Carlos Costa Marques Bumlai deverá ficar recolhido no Complexo Médico Penal, local em que são recolhidos presos que necessitam de internamento e idosos.”

Moro havia restabelecido a prisão preventiva de Bumlai em 10 de agosto e ordenado que o pecuarista se reapresentasse à Polícia Federal, em Curitiba, em 23 de agosto. Capturado pela Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato, em novembro do ano passado, Bumlai passou à prisão domiciliar em março deste ano para tratar um câncer e problemas cardíacos. O magistrado havia adiado, primeiramente, a apresentação de Bumlai para 30 de agosto.

No pedido a Moro, o Ministério Público Federal aponta ‘estranhas peculiaridades da situação médica’ de Bumlai.

“Causa ainda maior perplexidade a reiterada descoberta de novos problemas de saúde ou o início de tratamento de doenças apenas após a decretação da prisão preventiva do investigado”, afirma a força-tarefa da Lava Jato. “Veja-se que, diante da decisão que restabeleceu a prisão preventiva de José Carlos Bumlai, foi ele surpreendentemente acometido por novos problemas de saúde que, inclusive, ensejaram a necessidade de sua internação hospitalar.”

Para a Procuradoria, a perícia médica judicial é ‘necessária para atestar o real quadro de saúde apresentado por José Carlos Bumlai, na medida em que os sucessivos problemas de saúde apresentados parecem configurar meio bastante apropriado para evitar a segregação cautelar em estabelecimento prisional’.

Bumlai é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e por crimes financeiros no emblemático empréstimo de R$ 12 milhões que ele tomou junto ao Banco Schahin, em outubro de 2004 – o dinheiro, segundo o pecuarista, foi destinado ao PT.

A advogada Daniella Meggiolaro, que defende Bumlai, declarou que ele ‘está doente e sofreu uma rara reação adversa ao tratamento contra o câncer’.

Meggiolaro disse que ‘a Defesa repudia as insinuações e desconfianças do Ministério Público quanto ao estado de saúde do sr. Bumlai, comprovado por exames clínicos, laboratoriais e laudos médicos’.

A advogada observou que ‘aguarda com serenidade a reconsideração do Juízo quanto ao retorno do sr. Bumlai à prisão’.

“Não faz nenhum sentido afirmar, cinco meses depois , que o regime domiciliar não é adequado e que subsiste motivo para a prisão preventiva”, argumenta Daniella Meggiolaro.