Procuradoria quer esticar investigação sobre ‘caminho do dinheiro’ de Renan na ‘Guerra dos Portos’

Procuradoria quer esticar investigação sobre ‘caminho do dinheiro’ de Renan na ‘Guerra dos Portos’

Em parecer ao Supremo, subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, coordenadora da Lava Jato na PGR, requer ainda desmembramento do inquérito com relação aos ex-senadores Romero Jucá, Gim Argello e Delcídio do Amaral, e os ex-ministros Guido Mantega e Fernando Pimentel

Pepita Ortega e Fausto Macedo

21 de fevereiro de 2020 | 11h54

Senador Renan Calheiros (MDB-AL). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal o desmembramento do inquérito contra o senador Renan Calheiros (MDB/AL), os ex-senadores Romero Jucá, Gim Argello e Delcídio do Amaral, e os ex-ministros Guido Mantega e Fernando Pimentel por supostas propinas de R$ 8,5 milhões pagas pela Odebrecht para aprovação do Projeto de Resolução do Senado que ficou conhecido como ‘Guerra dos Portos’.

Em parecer, a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, coordenadora da força-tarefa Lava Jato na PGR, defende que a investigação contra Renan Calheiros por corrupção e lavagem de dinheiro seja prorrogada por mais 60 dias.

Lindôra Araújo indica que há necessidade de aprofundar a investigação sobre o ‘caminho percorrido pelo dinheiro à época’.

Além disso, a subprocuradora-geral pede que os autos relacionados a Jucá, Argello, Delcídio, Mantega e Pimentel sejam enviados à primeira instância da Justiça Federal no Distrito Federal devido à perda do foro por prerrogativa de função.

“Não mais se vislumbra, no atual estágio das investigações, a necessidade de produção unificada das provas”, afirmou a coordenadora da força-tarefa Lava Jato na PGR.

O parecer enviado ao STF apresenta uma tabela com os valores das propinas investigadas. Os dados foram extraídos dos e-mails fornecidos, dos sistemas Drousys e Mywebday, e de outras provas.

Segundo a representação, Romero Jucá teria recebido R$ 3 milhões, Gim Argello, R$ 1 milhão e Delcídio R$ 500 mil. Foi apurado ainda o pagamento de R$ 3 milhões para uma uma pessoa ainda não identificada cujo codinome nos sistemas da Odebrecht é ‘Glutão’.

O pagamento das propinas sido feito para que os políticos apoiassem o Projeto de Resolução do Senado 72, conhecido como ‘Guerra dos Portos’, que visava diminuir a alíquota do ICMS de importação dos estados, reduzindo, assim, o incentivo fiscal aos produtos importados.

Segundo Lindôra Araújo, provas colhidas pela PGR fazem referência a valores ainda mais altos que teriam sido pagos aos políticos, o que justifica a necessidade de prosseguimento e aprofundamento das investigações.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO LUÍS HENRIQUE MACHADO, QUE DEFENDE RENAN CALHEIROS

“O Senador Renan Calheiros foi incluído indevidamente neste inquérito. Em uma das delações, o próprio delator diz que ao se reunir com outro parlamentar sentia também a ‘presença intrínseca’ do Senador Renan. Foi a única forma que o delator encontrou de tentar envolver o Senador na trama acusatória. Causa espécie declarações nesse sentido de modo que a delação não pode ser levada a sério. Como sempre fez, o Senador estará sempre à disposição das autoridades para esclarecer todas as dúvidas atinentes ao caso”.

COM A PALAVRA, O EX-SENADOR GIM ARGELLO

A reportagem busca contato com a defesa do ex-senador. O espaço está aberto para manifestações.

COM A PALAVRA, O EX-SENADOR ROMERO JUCÁ

A reportagem busca contato com a defesa do ex-senador. O espaço está aberto para manifestações.

COM A PALAVRA, O EX-SENADOR DELCÍDIO DO AMARAL

A reportagem busca contato com a defesa do ex-senador. O espaço está aberto para manifestações.

COM A PALAVRA, O EX-MINISTRO FERNANDO PIMENTEL

A reportagem busca contato com a defesa do ex-ministro. O espaço está aberto para manifestações.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE GUIDO MANTEGA

A reportagem busca contato com a defesa do ex-ministro. O espaço está aberto para manifestações.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: