PRE quer cassar diploma de deputados que pediram voto em cultos

PRE quer cassar diploma de deputados que pediram voto em cultos

Dois políticos e três religiosos são acusados de 'abuso de poder econômico' em templos da Universal e da Mundial do Poder de Deus

Redação

01 de novembro de 2014 | 02h40

Por Julia Affonso

A Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro quer cassar os diplomas do deputado federal reeleito Francisco Floriano (PR) e o recém-eleito deputado estadual Milton Rangel (PSD). Os dois e três religiosos das igrejas Mundial do Poder de Deus e Universal do Reino de Deus estão sendo processados por abuso de poder econômico. Todos serão julgados por buscarem votos em celebrações religiosas e estão sujeitos à pena de declaração de inelegibilidade por oito anos.

A legislação veda atividades de campanha eleitoral em templos religiosos. Floriano foi eleito, por quociente partidário, com 47.157 votos. Ele ficou em 40º lugar de um total de 46 vagas. Rangel recebeu 28.957 votos e foi o 66º colocado na disputa. Havia 70 vagas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Floriano, à esquerda, e Rangel, à direita. Foto: TSE

Floriano, à esquerda, e Rangel, à direita. Foto: TSE

A PRE pede que o Tribunal Regional Eleitoral impeça as posses de cada político nas casas legislativas. Fiscais da Justiça Eleitoral apreenderam materiais de campanha como centenas de panfletos, cartões e adesivos em que se divulgavam as candidaturas de Floriano e Rangel.

“Em uma democracia a liberdade religiosa é plena, o que é inadmissível é a transformação de templos religiosos em comitês eleitorais”, diz o procurador regional eleitoral, Paulo Roberto Bérenger.

Foram ajuizadas mais de 580 ações por propaganda irregular e 20 ações de investigação judicial eleitoral contra candidatos, que podem levar à inelegibilidade e até à cassação do diploma. As ações se basearam em denúncias recebidas pela PRE e também no material apreendido pela equipe de fiscalização do TRE-RJ.

COM A PALAVRA, AS DEFESAS.

A Igreja Universal do Reino de Deus afirmou estar inconformada “com o tratamento abusivo e seletivo recebido nas eleições 2014”. Em nota, a assessoria de imprensa informou que a igreja está ingressando com recursos cabíveis para exonerar a instituição e o corpo eclesiástico de acusações falsas, esclarecer os fatos ocorridos e processar todos os envolvidos em quaisquer ações ilícitas.

“À sombra de procedimentos arbitrários e contrários às próprias leis eleitorais, mantém forte suspeita de conluio entre veículos de comunicação social em parceria ilegal com agentes do PMDB e da própria Justiça Eleitoral”, diz a nota. “A Universal reafirma sua total confiança no Poder Judiciário, que tudo será esclarecido e a igreja isentada de qualquer culpa ou punição.”

A assessoria de imprensa da Igreja Mundial do Poder de Deus informou que, no momento, não se posicionará sobre o caso. O deputado federal Francisco Floriano foi procurado, mas não respondeu. A reportagem tentou contato com Milton Rangel, pelo PSD, mas também não obteve resposta.