Procuradoria pede que YouTube exclua vídeos do pastor Valdemiro e seu ‘milagre dos feijões mágicos’ contra o mal do coronavírus

Procuradoria pede que YouTube exclua vídeos do pastor Valdemiro e seu ‘milagre dos feijões mágicos’ contra o mal do coronavírus

Plataforma também deverá identificar usuários responsáveis pela inclusão das gravações na rede social; Líder religioso anunciou sementes mediante 'propósitos' de até R$ 1 mil

Rayssa Motta

12 de maio de 2020 | 06h00

O Ministério Público Federal (MPF) deu cinco dias para o Youtube retirar do ar os vídeos nos quais o pastor Valdemiro Santiago de Oliveira, da Igreja Mundial do Poder de Deus, anuncia sementes de feijão com ‘poderes de curar a Covid-19’.

Documento

Nos registros, o líder religioso incita seus fiéis a plantarem as sementes, vendidas pela agremiação por R$ 100, R$ 500 e R$ 1 mil.

Um ofício foi enviado por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) em São Paulo, ao presidente do Google no Brasil, responsável pela plataforma de vídeos.

Imagem promocional divulgada pelo pastor com a oferta de ‘sementes’ contra o coronavírus. Foto: Reprodução

No documento, o MPF solicitou ainda que a empresa preserve em seus arquivos a íntegra dos vídeos e o número de visualizações de cada um deles. Além disso, pediu que a identidade dos usuários responsáveis pela inclusão dos conteúdos na plataforma seja informada aos procuradores pela empresa.

Na última sexta-feira, 8, a Procuradoria Federal encaminhou notícia-crime ao Ministério Público de São Paulo pedindo investigação por suposto crime de estelionato cometido pelo pastor. De acordo com o MPF, “o uso de influência religiosa e da mística da religião para obter vantagem pessoal” fica claro nas gravações.

COM A PALAVRA, O YOUTUBE

“O YouTube tem políticas claras sobre o tipo de conteúdo que pode estar na plataforma e não permite vídeos que promovam desinformação sobre o COVID-19. Desde o início de fevereiro, analisamos e removemos manualmente milhares de vídeos relacionados a afirmações perigosas ou enganosas sobre o vírus. É nossa prioridade fornecer informações aos usuários de maneira responsável, por isso continuaremos com a remoção rápida de vídeos que violem nossas políticas. Além disso, qualquer usuário que acredite ter encontrado um conteúdo no YouTube em desacordo com as diretrizes da nossa comunidade pode fazer uma denúncia e nossa equipe fará a análise do material.”

COM A PALAVRA, A IGREJA MUNDIAL DO PODER DE DEUS

Quando o Ministério Público Federal encaminhou notícia-crime ao Ministério Público de São Paulo pedindo investigação por suposto crime de estelionato cometido pelo pastor Valdemiro Santiago de Oliveira, a Igreja Mundial do Poder de Deus divulgou a seguinte nota:

“Em atenção à sociedade, em virtude de notícias veiculadas nesta quinta-feira (07) de maio de 2020, sobre a “venda” de semente com promessa de cura, a Igreja Mundial do Poder de Deus, vem esclarecer que:

1) Diferentemente do divulgado pela impressa, a campanha do mês de maio “sê tu uma benção” representado pela semente do feijão, não se refere a venda de uma “promessa de cura”, mas sim o início de um propósito com Deus, representado por um símbolo bíblico (a semente) que tem como princípio o início de uma colheita conforme a vontade de Deus (Lucas 8:11-15 e 2 Corintios 9);

2) Em relação a promessa de cura vinculada diretamente a semente, tem-se que foi amplamente esclarecido em todos os vídeos que toda cura vem de Deus e que a semente é uma figura de linguagem, amplamente mencionada nos textos bíblicos, para materializar o propósito com Deus (Genesis 26);

3) O valor da suposta venda divulgado, resta rechaçada veemente, haja vista ser a oferta espontânea, a qual é dada de acordo com a condição e manifestação de vontade de cada fiel, não tendo nenhuma correlação com o comércio de qualquer produto e/ou serviço.

4) Esclarecemos, ainda, que nossa instituição, ao longo de todos esses anos tem o único e exclusivo propósito de propagação da fé Cristã, onde todas as nossas atitudes se baseiam nos princípios bíblicos, na ética e na legalidade.”

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